Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 06/11/2020
A partir do século XIX, com a acentuação da industrialização na Europa, provocado pela segunda fase da Revolução Industrial, o tempo natural foi deixado de lado, e o relógio passou a controlar a jornada de trabalho. Com isso, as relações laborais tornaram-se instáveis em virtude da necessidade do lucro imposta pelos empregadores, e a saúde mental dos trabalhadores foi se deteriorando em razão da competitividade entre os funcionários, gerando uma problemática social: a “Síndrome de Burnout”.
Primeiramente, o organismo biológico demanda um período de adaptação às adversidades que encontra no ambiente para que as forças da “Seleção Natural” não o extingue. Sendo assim, o homem não teve tempo para se adequar ao novo sistema e, de uma maneira muito rápida, o ponteiro dos segundos do relógio passou a dizer quando é hora de trabalhar, e não mais a natureza. Dessa forma, as exigências do patrão de obter mais capital e de aumentar a produção levaram o espírito da competição para a linha de produção, destruindo a relação de cooperação entre funcionários, antes parceiros, já que o melhor desempenho em menor tempo tem maiores chances de continuar no emprego, gerando um clima de disputa no ambiente fabril, extremamente estressante.
Nessa perspectiva, a saúde mental das pessoas que passam por essa carga de estresse tende a sentir os impactos dessas situações de confronto de uma forma negativa, desencadeando a “Síndrome de Burnout”, visto que as exigências demasiadas de um mercado de trabalho tão competitivo ocasiona a exaustão mental que, por consequência, leva ao esgotamento físico. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 33 milhões de brasileiros possuem a doença por causa do trabalho e, se não tratada, pode provocar quadros depressivos e crises de ansiedade.
Em síntese, a “Síndrome de Bournout” é resultado de um ambiente de trabalho criado para explorar ao máximo o prestador de serviços, sem considerar que isso é nocivo para ele. Portanto, cabe ao governo proteger a saúde dos trabalhadores, enviando ao Congresso um projeto de lei que obrigue todas as empresas a terem suporte psicológico e serviço de mediação de conflitos, para que a velha tradição de competição seja superada, a fim de garantir que haja harmonia entre o corpo laboral e não haja abusos de trabalho. Por fim, com essa iniciativa, espera-se que nenhum brasileiro sofra dessa enfermidade e que o novo mecanismo de produção seja mais humano.