Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 04/11/2020
O filme “O Diabo Veste Prada” retrata a vida profissional de Andrea, uma mulher que abdica da vida pessoal em prol de uma carreira de sucesso. Entretanto, nesse processo de conquistas na empresa na qual trabalha, Andrea se insatisfaz com sua própria decisão e, portanto, pede demissão para poder cuidar de si própria. Apesar de ser um filme, a obra supracitada é baseada em fatos reais e retrata a vida de milhares de trabalhadores. Nesse sentido, a ideologia disseminada pela sociedade de que uma vida de sucesso está intrinsecamente atrelada ao êxito financeiro leva homens e mulheres ao esgotamento físico e metal em busca de um ideal, além do mais essa ideia ganhou propulsão com a exibição da vida particular.
Convém ressaltar, a princípio, que a coercitividade e manipulação dos indivíduos pelas instituições sociais são um fator decisivo para o desencadeamento da Síndrome de Burnout. Durante a reforma protestante - movimentos que criticavam as doutrinas da Igreja Católica- surgiu uma nova denominação religiosa, o Calvinismo, que defendia o sucesso financeiro proveniente do trabalho como um sinal da graça divina e foi amplamente aderido pela classe burguesa. Sob esse viez, as teses defendidas pelos calvinistas colaboraram para para a busca que seres humanos se submetessem à trabalhos exaustivos e degradantes, uma vez que o acumulo de capital garante as pessoas aprovação social e “status”.
Cabe salientar, outrossim, que as novas tecnologias provenientes da Revolução Técnico-Científico- Informacional ao estimularem o usuário a exteriorizar a vida particular na redes sociais colaborou para a pressão de ter um vida conformo o “status quo”. Segundo o escritor Guy Debord em seu livro intitulado “Sociedade do Espetáculo”, o ser humano está vivendo em um período de “máscara social”, no qual exibe uma vida feliz e assim oculta uma realidade menos encantada. Sob tal ótica, os trabalhadores buscam a ascensão no ambiente de trabalho para ostentarem um cenário forjado de uma excelente realidade, e, para essa finalidade, adoecem em favor de uma ideia propagada por instituições sociais.
Sob esse cenário, é mister que o Estado tome providências. A fim de minimizar a problemática o Ministério da Cultura e Educação juntamente ao Ministério da Economia, por meio de verbas governamentais, devem investir em propaganda que serão exibidas tanto em emissoras televisivas quanto resdes sociais com a finalidade de alertar acerca dos riscos à saúde oriundos do trabalho compulsivo. Ademais, cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) proporcionar acompanhamento psicológico gratuito ao indivíduos diagnosticados com a Síndrome de Burnout. Somente assim será possível evitar que a história de Andrea continue a ser repetida no mercado de trabalho.