Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 09/11/2020

A nova versão Charles Chaplin

Em 1936, no filme Tempos Modernos, Charles Chaplin foi levado à loucura por conta do excesso de trabalho e cobrança de desempenho. Atualmente, essas são algumas das principais causas da Síndrome de Burnout, a qual gera um estado de esgotamento físico e mental no indivíduo. Dessa maneira, em vez do profissional aumentar sua produtividade no trabalho, a pressão exagerada das empresas acaba desgastando-o e, com isso, diminuindo seu rendimento. Além disso, o individualismo possessivo acentua, ainda mais, esse processo de cansaço, o qual se faz de tudo para tentar alcançar o sucesso financeiro.

Mediante essa cobrança hiperbólica por parte das empresas sobre os funcionários, o número de casos de pessoas que adquirem a síndrome tende a aumentar. A verdade é que, desde a Revolução Industrial e as mudanças nas relações de trabalho ocorridas por conta da nova visão sobre o capital, os contratadores passaram a exigir uma maior produtividade de seus empregados, posto que isso significaria maior geração de lucros para a instituição. Entretanto, o contratado não é uma máquina, mas sim um ser humano e, por isso, necessita ser tratado como tal. Logo, perpetuando-se essa exigência, mais casos, como o ocorrido no filme Tempos Modernos, acontecerão na sociedade contemporânea.

Ademais, segundo o historiador canadense Macperson, o individualismo possessivo pode levar a autodestruição do indivíduo, uma vez que este não entende que tudo que se conquista se deve a sociedade. Diante disso, o pensamento em achar que tudo depende de si para alcançar o sucesso financeiro sobrecarrega a própria pessoa, a qual passa a viver em uma bolha, esquecendo, assim, das relações sociais e até da respectiva saúde física e mental.  Consequentemente, problemas como a Síndrome de Burnout acentuam-se nesse tipo de pessoa, visto que, de acordo com a OMS, o isolamento social e a busca frenética por algum objetivo podem levar à quadros da doença.

Portanto, para que a sociedade contemporânea não se torne uma nova versão do Charles Chaplin, é necessário que as empresas invistam na saúde física e mental dos trabalhadores, por meio da implementação de horários de laser entre os turnos de trabalho e de uma maior empatia nas relações entre patrão e empregado. Outrossim, as pessoas devem manter um autocuidado diário, a fim de não serem dominadas pelo individualismo possessivo. Com essas atitudes, o número de casos da Síndrome de Burnout irá diminuir.