Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 19/11/2020

O esgotamento psíquico é muito recorrente no Brasil, visto que 30% dos trabalhadores, segundo uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA-BR), sofrem com a Síndrome de Burnout. Portanto, é evidente que as doenças psicológicas ocupam cada vez mais espaço, sobretudo, na vida de estudantes e profissionais da saúde, o que caracteriza a chamada Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional. Nesse sentido, por tratar-se de saúde pública, é de suma importância analisar esse cenário problemático, a fim de revertê-lo.

Profissionais das áreas de educação, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais, mulheres e profissionais da saúde que enfrentam uma jornada intensa correm risco maior de desenvolver o transtorno. O estado de estresse emocional e o estado crônico tornam-se parte de uma rotina de trabalho desgastante. Nesse contexto, é notória a relação freqüente com os profissionais da saúde, principalmente em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19): a falta de leitos, medicamentos e aparelhos, necessários para oferecer um atendimento médico digno ao paciente, torna a saúde pública hostilizada, o que desgasta a classe da saúde. Dessa forma, o sentimento de impotência desses profissionais, junto ao envolvimento interpessoal intenso, faz com que haja um grande desgaste psicológico neles.

Por conseguinte, muitas pessoas que vivem imersas a esse cotidiano desgastante de trabalho, acabam procurando soluções perigosas, como a automedicação, o uso de álcool, drogas e outras substâncias. Além disso, o profissional da saúde, por exemplo, acaba por virar paciente psíquico, travando uma luta interna para reencontrar seu equilíbrio, em contraste com o agonizante cenário dos hospitais e de sua impotência frente às pressões em que é submetido. A idéia de suicídio aparece, muitas vezes, como válvula de escape, decorrente da depressão.

Diante dos fatos expostos, torna-se dever do Ministério da Saúde disponibilizar, mensalmente, um atendimento gratuito com psicólogos em hospitais, postos de saúde, escolas, cadeias, faculdades, entre outros locais da comunidade, a fim de reverter a Síndrome de Burnout nos profissionais que são assolados diariamente pelo estresse emocional. É também dever do Estado investir em campanhas e anúncios sobre os riscos da Síndrome de Burnout através das mídias digitais, como rádio, internet e televisão, a fim de garantir a segurança populacional, evitando soluções drásticas como o uso de entorpecentes e o suicidio. Já, o Ministério da Fazenda deve propor maior porcentagem do PIB para a saúde, sanando as necessidades dos hospitais quanto a leitos, medicamentos e aparelhos. Dessa forma, pode ser que, de fato, esses trabalhadores sejam soberanos sobre seu próprio corpo e mente.