Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 16/11/2020

A célebre frase “no meio do caminho tinha uma pedra”, cunhada no poema de Carlos Drummond, retrata as intempéries que surgem na jornada do eu lírico, as quais, metaforizadas como pedras, obstruem o percurso de sua vida. Fora da ficção, tal poesia se reflete no contexto atual, já que, no meio do caminho da importância da prevenção contra a Síndrome de Burnout, doença causada pelo excesso de trabalho, existem pedras. Diante dessa perspectiva, é preciso assumir a postura de um geólogo, com a intenção de analisar as medidas que precisam ser aplicadas para que as rochas, ora da negligência governamental, ora do capitalismo, sejam levadas ao intemperismo.

Vale destacar, de início, que a desídia governamental impossibilita o trabalhador de fazer a separação entre o horário de trabalho e o de lazer. Isso porque, segundo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, “a política existe para preservar a felicidade da nação”. No entanto, o cenário atual rompe com o ideal proposto pelo filósofo, visto que, as pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2020, apontam: cerca de 30% dos profissionais brasileiros adquirem enfermidades, como o esgotamento físico e mental, devido à sobrecarga no exercício de seus ofícios. Desse modo, evidencia-se que a Síndrome de Burnout constituem um atendado à democracia, em função de preencher, com atividades laborais, o espaço de lazer do empregado.

Faz–se mister, ainda, salientar o capitalismo como empecilho para permitir o equilíbrio profissional. Isso pode ser explicado pelo fato da coletividade atual viver em um “Estado de Anomia”, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como um espaço de descontrole social, em virtude de um competitivo mercado de trabalho. Em consequência disso, conforme o médico Dráuzio Varella, 88% dos casos de estresse estão relacionados aos excessivos expedientes, cujas grandes empresas submetem aos seus funcionários, com objetivo de garantir a maior visibilidade possível dentro do sistema de produção contemporâneo. Dessa maneira, denota-se a importância do engajamento dos empregadores em semear por um campo laboral mais saudável.

Portanto, com o intuito de mitigar a Síndrome de Burnout, cabe ao Estado criar políticas públicas, mediante investimentos - como o apoio psicológico aos trabalhadores - a fim de acarretar a separação entre ambiente de trabalho e a vida pessoal dos servidores. Ademais, tais ações devem ser realizadas em parceria com as empresas, por intermédio de métodos de produtividade que estejam em harmonia com o bem-estar dos funcionários, com a fito de propiciar aos empregados uma forma de erradicar a sobrecarga emocional causada pelo “stress” no âmbito trabalhista. Destarte, o caminho tornar-se-á livre, pois, como disse a poetisa Cora Coraline: “Com as pedras atiradas, construí a minha obra”.