Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 22/11/2020

O calvinismo foi uma corrente religiosa iniciada por João Calvino no século XVI que tinha como dogmas a predestinação absoluta - crença de que os homens tinham o seu destino preestabelecido - e a necessidade de ter uma vida voltada ao trabalho. Não obstante o lapso histórico, é perceptível que, de maneira análoga ao movimento supracitado, a contemporaneidade é marcada por um paradigma relacionado ao esgotamento físico e mental dos empregados ligado à vida profissional, o qual causa um distúrbio denominado síndrome de Burnout. Sob tal ótica, é primordial analisar os efeitos do excesso de produtividade imposto aos trabalhadores, bem como a interferência dos empregos em sua cidadania.

É imperioso salientar, a princípio, que as relações capitalistas de mercado são caracterizadas pela pressão aos trabalhadores devido à intensa competitividade do mercado de trabalho. Tal fenômeno é ratificado pelo conceito de “Sociedade do Espetáculo”, o qual foi proposto pelo filósofo Byung-Chul Han e evidencia que as empresas fomentam constantemente o desenvolvimento profissional de seus empregados para aumentar a produtividade destes e, assim, incrementar o lucro. Entretanto, tal aspecto impacta diretamente na saúde física do trabalhador, uma vez que essa desgastante relação trabalhista corrobora a sobrecarga e o cansaço extremo dos funcionários, o que expõe a necessidade de uma intervenção governamental nessa situação problemática.

Ademais, infere-se que o esgotamento relacionado à vida profissional dos trabalhadores e o consequente surgimento da síndrome de Burnout são fatores que afetam o lazer e a dignidade destes. Essa questão vai de encontro ao conceito de cidadania para o sociólogo Thomas Humphrey Marshall, que pode ser definido como a garantia de todos os direitos políticos, civis e sociais de maneira universal à população. Por conseguinte, a imposição de uma rigorosa carga trabalhista aos empregados dificulta a efetivação de sua cidadania, uma vez que, reiteradamente, esses indivíduos utilizam o seu tempo em casa para continuar as atividades que deveriam ser executadas em seus locais de trabalho, o que pode causar problemas como dor de cabeça, insônia e ansiedade.

Depreende-se, portanto, que a constante cobrança por desenvolvimento profissional por parte das grandes empresas corrobora o esgotamento físico e mental dos trabalhadores. Posto isso, com vistas a flexibilizar a desgastante relação trabalhista existente, urge que o Ministério do Trabalho crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que serão expostas nas redes sociais. Essa medida deverá orientar os empresários acerca dos efeitos do fomento à produtividade aos empregados no que diz respeito à violação da cidadania destes. Somente assim, desconstruir-se-á o paradigma relacionado à difusão da síndrome de Burnout entre os funcionários.