Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 14/11/2020
Na obra “Sociedade do Cansaço”, o filosofo Byung Chul Han afirma que o ser humano passou de uma sociedade da repressão, em que era constantemente vigiado e punido, para uma sociedade do desempenho, na qual o objetivo principal é aumentar a produtividade individual. Assim, o sujeito contemporâneo torna-se seu próprio feitor e cobra-se de si a máxima eficiência. Consequentemente, percebe-se que tal mentalidade tem sido causa da síndrome de Burnout, caracterizada por uma população deprimida, frustrada e suicida. Com efeito, evidencia-se a necessidade alterar esse cenário, que persiste por conta da falta de informação e influência coletiva.
Convém ressaltar, a princípio, que a ausência de conhecimento a respeito da saúde mental e física é um fator determinante para o problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica uma causa importante do problema: muito é discutido sobre como melhorar a produtividade na sociedade atual, mas pouco é debatido sobre a importância do autocuidado. Sendo assim, se as pessoas não possuem acesso à informação séria sobre os perigos do excesso de trabalho e como pode ser prejudicial tanto para a saúde quanto para o próprio desempenho, sua visão será limitada, só entendendo a real importância do cuidado com o corpo após o seu esgotamento.
Ademais, a cobrança exagerada física e mental encontra terra fértil em questões socioculturais. Nessa perspectiva, Durkheim defende que o fator social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa ótica, percebe-se que o problema do cansaço profissional é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se uma pessoa cresce inserida em um ambiente social em que os indivíduos acreditam que o trabalho e esforço exagerados são sinônimos de produtividade e eficiência, a tendência é adotar essas atitudes também. Dessa forma, em uma sociedade do desempenho, pessoas são estimuladas constantemente a produzirem mais e mais, o que justifica 98% dos brasileiros se sentirem cansados fisicamente e mentalmente, segundo pesquisas do IBOPE.
Logo, é necessário promover medidas que ajam sobre esse problema. Portanto, o MEC deve, juntamente com as prefeituras, proporcionar nos municípios informações sobre a importância do autocuidado para combater a síndrome de Burnout, por meio de eventos e programas nas escolas com a presença de palestrantes e médicos. Além disso, Tais eventos devem ser gravados e postados nas redes sociais da cidade, com o intuito de apresentar para a população os perigos de uma rotina exagerada imposta pela sociedade do desempenho. Desse modo, a população entenderá que saúde e bem-estar é mais importante na vida profissional do que horas de excesso desnecessário de trabalho.