Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 15/11/2020

Para o filósofo Stuart Mill, o homem é soberano sobre o seu corpo e mente, todavia, a visão do pensador se prova equivocada ao analisarmos o atual cenário psíquico dos profissionais brasileiros. No Brasil contemporâneo, as doenças psicológicas ocupam cada vez mais espaço na vida dos profissionais inseridos no mercado de trabalho, em especial, a Síndrome do esgotamento profissional ou Síndrome de Burnout. Isso se deve, sobretudo, às cobranças absurdas que são impostas aos trabalhadores e ao descaso das empresas que, visando apenas o lucro, tratam seus empregados como máquinas. Desse modo, faz-se necessário humanizar o ambiente de trabalho nas empresas.

De início, é válido ressaltar que a alta competitividade do mercado de trabalho, isto é, a possibilidade de poder ser substituído a qualquer momento, serve para as companhias como uma ameaça velada aos empregados. Por isso, muitos aceitam transformar suas vidas em trabalho sem se importar com o sacrifício da saúde mental. Segundo uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), cerca de 30 milhões de trabalhadores  brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout em algum grau. Tal dado alarmante é um sintoma da pressão que estão submetidos os profissionais brasileiros dentro do trabalho, sendo necessário mudar essa situação.

Por conseguinte, o trabalhador acaba em uma construindo a noção de que todas as suas expectativas de vida estão relacionadas ao sucesso profissional e, quando esse sucesso não é atingido, o Burnout evolui para depressão. Não por acaso, a ideia de suicídio aparece como uma válvula de escape dessa situação. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 11 mil pessoas por ano tiram suas vidas por ano no Brasil, muitas vezes, como consequência de um ambiente de trabalho abusivo. Porém, as empresas permanecem vendo os seus funcionários como seres substituíveis, pressionando-os de forma irresponsável. Assim, torna-se necessário reverter esse pensamento.

Em vista do conteúdo exposto, medidas são necessárias para humanizar o ambiente de trabalho. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania -antigo Ministério do Trabalho- promover palestras aos Diretores Executivos das empresas para conscientizá-los sobre os problemas relacionados ao esgotamento profissional e as consequências que podem trazer para os funcionários. Também, cabe às próprias companhias fazer reuniões de escuta aos funcionários com o objetivo de, a partir de sugestões dos trabalhadores, deixar o ambiente de trabalho menos estressante. Além disso, as empresas devem promover palestras dentro do ambiente de trabalho para informar sobre a Síndrome de Burnout e encaminhar os funcionários que estiverem relatando problemas parecidos ao tratamento. Dessa forma, os funcionários não serão apenas empregados, mas indivíduos soberanos de seus corpos e mentes.