Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 01/12/2020

" O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra", representa um dos pensamentos elaborados pelo antigo e renomado filósofo Aristóteles. Tal frase remete à necessidade da existência de um trabalho que dignifique e agrade o homem, tornando-o livre para aprimorar-se no universo laboral. No entanto, na contemporaneidade, essa conjuntura se encontra cada vez mais distante da realidade, uma vez que em virtude do amplo sobrecarregamento profissional, atrelado à precária atenção dada à vida pessoal - por parte de muitos indivíduos - síndromes, como a de Burnout, se tornam cada vez mais frequentes.

De início, cabe destacar a forte relação entre o aumento da jornada e carga trabalhista com o surgimento de danos físicos e emocionais aos trabalhadores na contemporaneidade. Isso porque, em virtude da hipervalorização do capital, em detrimento de questões ligadas ao bem-estar dos indivíduos, grande parte das empresas passam a aumentar, de forma expressiva, a carga e o conteúdo de trabalho, fazendo com que muitos contratados passem a ficar sobrecarregados. Essa realidade gera consequências danosas à saúde física e emocional dos indivíduos, os quais passam a ficar presos em uma condição desgastante. Essa conjuntura se atrela ao pensamento do filósofo Karl Marx, o qual - desde a modernidade - critica a exploração dos patrões para com os empregados, fato este que culmina em uma espécie de " ditadura do proletariado “.

Em uma segunda perspectiva, a banalização de questões de cunho pessoal, por grande parte dos indivíduos, também se atrela a tal problemática. Justifica-se isso pelo fato de que, em virtude da existência de uma cultura de superestima do trabalho, pontos importantes, como a saúde física e emocional, acabam, muitas vezes, sendo deixados de lado. Tal panorama acaba culminando em problemas ligados ao esgotamento mental, os quais são sentidos a longo prazo, após jornadas de trabalho desgastantes. Constata-se isso com base nos dados disponibilizados pela Isma, os quais mostram que cerca de 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome de Burnout, ligada ao excesso de trabalho.

Portanto,é notório a relação entre a naturalização de uma jornada de trabalho desgastante com a ocorrência de problemas físicos e mentais no ramo laboral contemporâneo. Logo, é indubitável a criação de mecanismos que controlem o tempo médio de trabalho de cada indivíduo e proporcionem uma estrutura de atendimento médico aos empregados. Essa ação deverá ocorrer por intermédio do Ministério do Trabalho - órgão federal responsável pela garantia de apoio aos trabalhadores - através de uma maior fiscalização da carga trabalhista de cada empresa, além do incremento de médicos do trabalho nestas. Assim, a saúde dos empregados ficará intacta e livre da síndrome de Burnout.