Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 18/11/2020

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, para o desenvolvimento pleno de uma sociedade, é imprescindível a presença da “solidariedade orgânica”, a qual consiste na interdependência e na diversidade entre os indivíduos, de modo a gerar um meio coeso e harmônico. Todavia, o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional denota uma ruptura dessa diretriz solidária, haja vista que as pessoas se cobram demais, assim como a utilização de entorpecentes para suprir as consequências da exaustão mostram-se presentes no âmbito social. Urge, pois, a necessidade de que medidas sejam tomadas pelas instituições de ensino para a minimização desse desafio.

Em primeira análise, fica evidente a obsessividade dos empregados com a suplantação de metas em um menor tempo. De acordo com o filósofo Byung-Chul Han, “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout”. Apesar da relevância desse pensamento, vive-se em um mundo no qual para tudo tem vigorado a regra do “quanto mais rápido melhor”. Desde a Primeira revolução industrial, a sociedade busca em prol do progresso, maior produção, com mais rapidez, panorama que, deixou a maioria dos trabalhadores sem tempo para descanso, ocasionando em graves problemas de saúde. Como reflexo, a aceleração social com o aumento das atividades, que causam a sensação generalizada de impossibilidade de fazer tudo, acarretam em um comportamento de ansiedade e estresse devido à dificuldade para relaxar.

Vale ressaltar, ainda, o uso de medicamentos como cura para o cansaço e exaustão. A prescrição de antidepressivos para o tratamento da Síndrome de Burnout, está cada vez mais frequente. Esse tratamento tem a finalidade de melhorar os sentimentos de inferioridade e de incapacidade, principais sintomas da doença, quando poderia ter sido recomendado,pelo médico, a redução da carga horária de trabalho, o que torna essa situação beneficente para os líderes, já que os empregados continuariam trabalhando o mesmo período. Tal processo, muitas vezes, acaba prejudicando a saúde pública, devido ao uso excessivo de medicamentos para controlar os danos da doença, além de gerar consequências imensuráveis na vida profissional, podendo propiciar uma depressão ou até mesmo suicídio.

Portanto, são necessárias mudanças relacionadas ao esforço excessivos, com o objetivo de transformar a solidariedade orgânica uma característica inerente à sociedade, tornando fundamental a implementação de espaços para debates nas escolas, envolvendo professores, pais e alunos, mediante palestras ministradas por especialistas na área da saúde, a fim de se formarem cidadãos mais conscientes sobre a importância do descanso e de momentos de lazer, em prol do bem comum.