Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/11/2020

Imagine que você conseguiu ser contratado por uma empresa e tem por objetivo subir na hierarquia rapidamente. Para atingir sua meta, você se dedica intensamente, fazendo tudo sozinho, e trabalhando até nos seus dias de folga. Atividades como comer, dormir, sair com amigos, tudo isso parece sem importância para você. Estes são alguns dos sintomas da síndrome de “burnout”, expressão derivada do inglês, que significa, em sua tradução literal, queimar-se por completo. Trata-se de um distúrbio psíquico que tende a causar esgotamento físico em função da dedicação excessiva ao trabalho. É paradoxal que com todos os avanços existentes na área do cuidado mental e dos diretos dos trabalhadores, ainda assim uma doença como esta se manifeste em tão grande escala.

A causa principal da síndrome de “burnout” é uma intensa dedicação ao trabalho que, muitas vezes, pode ser descrita como obsessiva. Um enorme agravante para esta situação ocorre quando a pessoa é recompensada além do normal por seus sacrifícios, recebendo promoções e, consequentemente, mais trabalho. A grande dificuldade em identificar e tratar as pessoas afetadas por este distúrbio é que, facilmente, estas são confundidas com “funcionários exemplares”, e não pessoas numa espiral de esgotamento físico, mental e emocional intensos.

Outra coisa que interfere nesta condição de esgotamento são as horas extras de trabalho não contadas. Quando o trabalhador está em casa ou, mesmo em seu dia de folga, segue trabalhando. Este hábito não é apenas comum, mas acaba se tornando uma rotina para muitas pessoas, subtraindo de sua vida o tempo de convívio com familiares e amigos. Além de não receberem por toda esta dedicação, os afetados pela síndrome de burnout normalmente fazem muito mais do que deveriam, passando a realizar inclusive o trabalho dos colegas de serviço. E as consequências na esfera da vida afetiva e familiar ficam estilhaçadas.

É necessário que governos, empresas, trabalhadores e psicólogos se reúnam para debater medidas que propiciem um ambiente de trabalho mais adequado para a saúde mental de seus funcionários. Entre elas, merece destaque a redução das horas extras e a instauração de um comitê de saúde mental nos locais de trabalho em momentos próprios e sem a interferência da empresa. Cuidar dos diversos aspectos da vida e harmonizar os objetivos profissionais com outras dimensões da existência são medidas fundamentais para que não queimemos o precioso tempo que nos foi dado apenas com o trabalho.