Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 18/11/2020

A visão de que o homem é soberano sobre seu próprio corpo e mente, passada pelo filósofo John Stuart Mill, transmite uma visão equivocada sobre o atual cenário psicológico da população brasileira. Sabe-se, entretanto, que as doenças psicológicas ocupam cada vez mais espaço na vida de estudantes e profissionais, o que caracteriza a chamada Síndrome de Burnout. Nesse sentido, por tratar-se de saúde pública, é de suma importância analisar esse quadro, a fim de revertê-lo.

Em primeira análise, a Síndrome caracteriza-se pelo estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho desgastantes. Nesse contexto, fica fácil perceber sua relação com os profissionais como da saúde: a falta de leitos, medicamentos e aparelhos, necessários para oferecer um atendimento médico digno ao paciente.  Dessa forma, o sentimento de impotência desses profissionais, junto ao envolvimento interpessoal intenso, faz com que haja um grande desgaste psicológico neles.

Com isso, o profissional da saúde acaba por virar paciente psíquico, em contraste com o horripilante cenário dos hospitais e de sua impotência frente às pressões em que é acometido. Não por um acaso, a ideia de suicídio aparece, muitas vezes, como válvula de escape, decorrente da depressão. Nessa intempérie, o jornal O Globo mostrou que o médico está na quinta posição entre os profissionais que mais sofrem com transtornos mentais de comportamento, demonstrando a fragilidade humana em quem, em suma, é treinado para tratar de outrem.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde disponibilizar um atendimento psicologico, tanto em hospitais como em faculdades com cursos da área da saúde, a fim de previnir ou reverter a Síndrome nesses profissionais-pacientes. Junto a isso, o Ministério da Fazenda deverá destinar maior porcentagem das verbas para a saúde, sanando as necessidades dos hospitais. Dessa forma, tratando das causas e consequências, pode ser que, esses pacientes sejam soberanos sobre seu próprio corpo e mente.