Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/11/2020

O filme de Charles Chaplin, “Tempos Modernos”, critica a lógica de produção fordista, caracterizada por linhas de montagem nas quais os operários eram submetidos a tarefas repetitivas por longas jornadas de trabalho em ambientes insalubres, o que não raramente resultava em sérios danos físicos e mentais ao trabalhador, conforme elucidado no filme. Quase dois séculos depois, no entanto, esse panorama de retrocesso continua presente no ambiente de trabalho, por meio do aparecimento de doenças como a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento ligado à vida profissional. Dessa forma, é inadmissível que em meio a tantos avanços no ambiente de trabalho seja perpetuada a crença de que o trabalhador deve sacrificar sua qualidade de vida em prol do sucesso profissional.

Segundo o livro “Sociedade do Cansaço” do filósofo contemporâneo Byung-Chul Han, a lógica empreendedora atual “yes, we can” (traduzida como “sim, nós podemos”) somada ao modelo profissional multitarefas tem contribuído para a instauração de um ambiente de trabalho doentio e competitivo. O culto a padrões inalcançáveis de sucesso e à produtividade constante transforma o trabalhador em um ser hiperativo e esgota suas faculdades mentais, o que torna difícil a realização de qualquer atividade fora o seu ofício. Além de prejudicar sua saúde mental, o estresse e a pressão excessiva, comuns à vida profissional, podem causar danos irreversíveis ao corpo. O trabalhador está, portanto, preso pela necessidade de seu sustento a uma ocupação que negligencia a sua qualidade de vida e o desumaniza, transformado apenas em um maquinário do sistema.

Outrossim, percebe-se também a existência de um contingente de profissionais qualificados que estão desempregados ou em um ofício que não explora todo o seu potencial, o que evidencia assim uma falha em um sistema que promete o prestígio por meio da dedicação, mas carece ao oferecer oportunidades a todos. Logo, o que se observa é uma lógica de trabalho sustentada pela alienação do trabalhador diante de uma premissa ilusória de sucesso garantido pelo esforço, o que culmina na permanência desse cenário retrógrado.

Depreende-se, portanto, que para contornar essa óptica de exploração a fazer jus aos avanços do século XXI, a fim de evitar doenças como a Síndrome de Burnout, é mister a afiliação de empresas com clínicas de saúde e psicologia para lidar com a saúde mental dos funcionários, além de investir em atividades de lazer e relaxamento, como pela criação de áreas específicas dentro das empresas voltadas para essas atividades. Além do ambiente de trabalho, o assunto deve ser explorado nas escolas, desde a adoção de aulas de meditação e yoga para a Educação Infantil quanto palestras para o Ensino Médio.