Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/11/2020

John Stuart Mill, grande filósofo do século XIX, defendeu a ideia de que o homem é soberano sobre seu próprio corpo e mente. No entanto, essa concepção transmite uma visão equivocada sobre o cenário atual psíquico da população brasileira, a qual enfrenta desafios para superar o esgotamento físico e mental ligado a vida profissional, o que caracteriza a chamada Síndrome de Burnot. Essa realidade se deve, essencialmente, aos altos padrões exigidos pela sociedade, bem como de uma negligência estatal diante da saúde mental dos indivíduos.

Em primeiro plano, destacam-se as altas exigências de uma melhor performance profissional, como uma das causas do problema. Nesse ínterim, no livro “Sociedade do espetáculo” do sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma constante busca pela perfeição, tentando sempre dar o melhor mostrar uma para as outras. Sob esse viés, com uma disputa acirrada pelo melhor desempenho, salários salientes e carga de destaque, as pessoas se submetem a tensões emocionais e estresses crônicos, prejudicando a saúde física e mental na tentativa de apenas se destacar. Dessa forma, rever as situações de saúde que esses profissionais se sujeitam é imprescindível.

De outra parte, é preciso pontuar as indiligências governamentais frente ao estado psíquico dos profissionais. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, que determina que todo cidadão têm direito à saúde e ao bem-estar. Entretanto, o povo não possui seus direitos garantidos, como promete o fundamento constitucional, uma vez que, a falta de profissionais da saúde mental nas empresas, permite que os empregados desenvolvam doenças psicológicas, como a Síndrome de Burnot, ansiedade e  a depressão, isso, por não conseguirem lidar com o desgaste e as exigências da vida profissional. Logo, se faz necessário uma maior reestruturação nos locais de trabalho.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem tal quadro. Acerca disso, cabe ao Ministério do Trabalho, órgão responsável pelos aspectos trabalhistas, por meio de verbas governamentais, promover palestras e simpósios nas instituições laborais, as quais desconstruam o panorama de disputa pelo melhor cargo ou salário, objetivando  desenvolver a críticidade nos profissionais a respeito da saúde física e mental, garantindo assim, que o número de pessoas que sofrem com a Síndrome de Burnot se reduza. Ademais, urge ao Governo Federal juntamente com o Ministério da Saúde, assegurar atendimentos psicológicos a todos os trabalhadores, através da implantação de atendimentos com psicólogos e psiquiatras nas empresas, a fim de prevenir doenças mentais futuras. Assim, o ideal proposto por John Stuart será alcançado.