Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 20/11/2020
Na célebre visão de Augusto Cury, psiquiatra brasileiro, o indivíduo precisa de equilíbrio entre as diferentes áreas da vida, análogo ao corpo humano em homeostase. Contudo, o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, descrito pela Síndrome de Burnout, acontece pelo excesso de trabalho e uso exagerado das tecnologias, sendo, portanto, necessária uma análise mais profunda.
A princípio, destaca-se os riscos do labor exacerbado. Sob essa óptica, a visão de Anthony Giddens, sociólogo britânico, é fundamental, pois para ele a sociedade atual é viciada em estimulantes, como café e energéticos, por não aguentar o frenético ritmo capitalista de trabalho. Dessa forma, cria-se um estado de alerta constante, que é nocivo a longo prazo, gerando problemas de saúde como ansiedade, hipertensão, dores de cabeça e até mesmo depressão. Logo, é evidente que tal conjuntura é um problema sério para a saúde física e mental das pessoas, e mudanças são necessárias.
Outrossim, é notório os problemas causados pelo uso exagerado das tecnologias no âmbito laboral. Nessa perspectiva, a visão de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, é imprescindível, visto que ele afirma: “Somos escravos das tecnologias”. Nesse cenário, o uso da internet amplia a problemática da Síndrome de Burnout, haja vista que com a flexibilização do trabalho, na contemporaneidade, amplia-se a cargas horária e o serviço disponível às empresas, por meio do “Home Office”. Por exemplo, é comum essas acharem que pelo fato do indivíduo estar em casa, há disponibilidade de tempo integral para realizar tarefas e estar sempre presente. Assim, o cansaço é exponenciado, aumentando o risco de enfermidades.
Destarte, para mudar a situação vigente, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas publicitárias para alertar sobre o excesso de trabalho e o mau uso das tecnologias, por meio de mídias sociais e uso da televisão, com auxílio de atores que representem situações do cotidiano para facilitar a identificação com o público-alvo, a fim de promover o bem-estar coletivo e mitigar a autocobrança. Ademais, o Legislativo deve regulamentar o “Home Office”, por meio de uma lei que impeça abusos por parte das empresas na cobrança de seus funcionários em qualquer horário do dia, a fim de garantir o tempo de descanso do trabalhador. Portanto, será possível a homeostase social.