Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 25/11/2020
“…mas é claro que sou feliz/ acontece que estou triste” os versos paradoxais do poema “Dialética”, do escritor carioca Vinícius de Moraes, retratam o sofrimento de pessoas acometidas por transtornos mentais, inclusive a síndrome de Burnout. Diante do exposto é possível analisar os efeitos nefastos desse esgotamento físico e mental enfrentado pelos profissionais, tanto a questão das cobranças excessivas, quanto o descaso dos órgãos federais em combater esse problema de Saúde Pública que os cercam.
Em primeira análise, convém ressaltar o influente papel do sistema econômico de algumas sociedades modernas que exigem dos cidadãos um exaustivo comprometimento com o trabalho. Sob essa perspectiva, é possível respaldar essa corrente de pensamento consoante às teses desenvolvidas pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em seu livro “Sociedade do cansaço”, ao afirmar que a forma como o mundo ocidental desenvolve suas relações trabalhistas pede um excessivo desempenho, bem como uma demasiada cobrança no setor corporativo. Nesse viés, o esgotamento físico e mental dos indivíduos é consequência de uma rotina permeada de questões profissionais para além do perímetro do trabalho, à guisa: home office e “passeios” remunerados que mascaram viagens profissionais.
Outrossim, a ingerência do Poder Público em regulamentar as relações trabalhistas contribui, lamentavelmente com a naturalização da banalização do ócio e de suas consequências. Prova disso são os dados divulgados em 2019,pela Organização Mundial da Saúde, que atestam que, em média 10% dos brasileiros sofrem de ansiedade e de outras síndromes. Se por um lado a doença de Burnout advém da perigosa prática de sobrepor a vida profissional em detrimento das demais áreas, por outro há um Estado inerte para combater o futuro colapso do sistema de saúde pública devido aos efeitos da mazela psíquica da insalubridade da rotina de um empregado no país.
Destarte, é imperiosa a colaboração das instâncias sociais para possibilitar o devido enfrentamento do esgotamento oriundo de síndromes mentais. Portanto, compete ao Governo elaborar um “Plano Nacional de Combate à Síndrome do Esgotamento Profissional”, por meio de um centro especializado no tratamento das causas e dos efeitos desse problema psíquico, para que os cidadãos sejam acompanhados, semanalmente, por profissionais, com objetivo de tornar o ambiente de trabalho desses pacientes menos oprimido. Ademais, as Instituições de Ensino podem ,ainda no período colegial, instituir um dia da semana para debaterem, em contraturno, o tema “Limites das profissões e do ócio”. Assim, os versos do “poetinha”, Vinícius de Moraes, representarão um cenário destoante da realidade da população do Brasil.