Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 01/12/2020
O filme “Tempos Modernos” mostra a rotina exaustiva de um operário em linha de montagem que, por ter uma carga horária intensa, seu psicológico acaba afetado, visto que ele chega confundir botões de um casaco com parafusos dentro da trama. Entretanto, apesar de ser uma ficção, essa obra traz uma perspectiva sobre o impacto do excesso de trabalho na saúde mental. Assim, sob tal ótica, essa conduta contínua afeta o rendimento do trabalhador e acarreta em doenças, na qual uma delas pode ser a Síndrome de Burnout.
A priori, é necessário saber o motivo do excesso de trabalho ser tão recorrente dentro das empresas. A respeito disso, um dos fatores que explica essa situação, é a conduta abusiva de grande parte das empresas, que estabelecem metas inatingíveis aos funcionários. Ademais, segundo uma pesquisa realizada pela Qualitin, 21% dos gestores entrevistados acreditam que as metas que estabelecem não são alcançáveis. No entanto, essa estratégia tem um resultado paradoxal no qual, devido à pressão, os funcionários tem momentos de desorganização, desânimo e desatenção no trabalho, o que diminui seu rendimento e gera prejuízos para a empresa. Já que, de acordo com o cálculo do ISMA de 2010, a falta produtividade causada pela exaustão gerou prejuízo de 3,5% no PIB brasileiro.
Outrossim, segundo médicos, o trabalho em excesso gera estresse, falta de sono e descuido com cuidados básicos, como alimentação e saúde. Logo, isso facilita o desenvolvimento de doenças como a Síndrome de Burnout, que é um estado de esgotamento físico e mental que, se não for tratado, pode resultar em enfermidades ainda mais sérias, como a depressão e a ansiedade. No que se diz a respeito disso, pesquisas feitas pelo ISMA-B revelam que 30% dos profissionais brasileiros sofrem dessa síndrome. Portanto, é perceptível o quão carente de mudanças esse cenário é.
Dessa forma, fica evidente que o excesso de trabalho prejudica diretamente a saúde mental e a produtividade dos profissionais. Por isso, a fim de reverter esse cenário, cabe ao Ministério da Economia, ligado à Secretaria do Trabalho, em conjunto com o departamento de Recursos Humanos, fiscalizar as empresas, através de visitas mensais de fiscais enviados pelo ministério, com a finalidade de evitar cargas horárias demasiadas e abusos por parte os gestores. Além disso, cabe às empresas implementar projetos de ação e saúde, no qual, semanalmente, haverá diversos profissionais da saúde, como psicólogos e instrutores físicos, atendendo os trabalhadores e dando palestras sobre os riscos do excesso de trabalho. Desse modo, a vida do personagem de Chaplin em “Tempos Modernos” será apenas um alívio cômico e não o retrato dos profissionais atuais.