Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 26/11/2020

A garantia à saúde mental e física é caracterizada, na Constituição Federal de 1988, como uma cláusula pétrea de caráter basilar para a população. Todavia, a conjuntura brasileira denota um contraponto a esse desejável quadro, tendo em vista que, hoje, revela-se ,paulatinamente, um maior número de afligidos pela síndrome de Burnout, doença decorrente do esgotamento físico e mental associado à vida profissional. Tal calamitosa situação é causada pela extenuante estruturação do trabalho e pelos estigmas sociais relacionados às doenças psíquicas.

Sob essa perspectiva, é incontrovertível que existe um descaso no tocante à saúde psicológica, em virtude da negligência com as doenças mentais. Nesse ínterim, é fundamental considerar as assertivas de Michel Foucault ,historiador francês, autor da obra “A história da loucura”, a qual retrata a prejudicial estigmatização vivenciada ,a partir do século XVII, em relação ao tratamento e à prevenção de transtornos mentais. De maneira análoga, vislumbra-se, hodiernamente, a permanência dessa caótica concepção, de modo que, os profissionais objetivam a ascensão econômica, em detrimento do lazer, do exercício e do descanso periódico. Por conseguinte, a indiligência com a qualidade de vida resulta, inegavelmente, no desenvolvimento de síndromes, tais como a síndrome de Burnout, e no esgotamento físico.

Ademais, é manifesto citar a obra cinematográfica Tempos Modernos de Charlie Chaplin, que retrata a exaustiva rotina de um trabalhador industrial ,do século XX, destacando a monótona função do protagonista no modelo fordista de produção. Paralelamente, é inegável que a danosa imposição social para um esforço contínuo promove a carga horária excessiva e a pífia exploração da dinâmica trabalhista. Conseguintemente, tais máculas são as lamentáveis causas do esgotamento mental - exemplificado pela síndrome de Burnout. Portanto, é imperioso notar que tal contexto coercitivo acirra o estresse do profissional, levando-o a um quadro de exaustão psicológica.

Diante dos fatos expostos, o Ministério da Saúde deve promover o rompimento dos estigmas sobre a síndrome de Burnout, por meio de uma eficaz campanha publicitária, veiculada na tevê, nos sites e nos jornais de grande circulação, de modo a elucidar sobre a doença e a incentivar a procura por tratamento, com o intuito de fomentar uma concepção realista sobre as máculas psicológicas associadas ao trabalho excessivo. Outrossim, é dever ,ainda do Ministério da Saúde ofertar profissionais da psicologia e da psiquiatria, com vistas a garantir aos profissionais de todos os setores trabalhistas o eficaz acompanhamento psicológico. Assim, será possível resguardar ,plenamente, a saúde preconizada pela Lei Maior.