Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 30/11/2020
A animação japonesa “Dragon Ball” ilustra a família do protagonista “Goku”, não raro, preocupada com o tempo dedicado pelo lutador aos treinos - sua forma indireta de ganhar dinheiro. No âmbito real, a preocupação e dedicação excessivas ante o lucro também se manifestam e são elementos essenciais de uma silenciosa mazela: a Síndrome de Burnout. A partir da subversão da acessibilidade da Revolução Técnico-Científica, esse fenômeno se mostra grave problema no Brasil e evidencia a negligência estatal.
A princípio, a Terceira Revolução Industrial propiciou conforto excessivo e automação de tarefas, possibilitando a realização de vários afazeres simultaneamente. Entretanto, esses benefícios não foram bem aproveitados pelo brasileiro: ao invés de obter vantagem a partir dessas facilidades, a sociedade brasileira ocasionou elevação nos índices de sedentarismo - 40,3% dos adultos, segundo o IBGE - e um acúmulo de tarefas recorrentemente excessivo, o qual, por sua vez, é danoso à saúde mental do indivíduo. Portanto, haja vista os malefícios da falta de exercícios físicos a uma vida saudável, não é coerente que a lógica da Revolução Técnico-Científica seja invertida no país.
De outra parte, faz-se evidente a ineficácia estatal frente à garantia de qualidade de vida dos brasileiros. A esse respeito, Thomas Hobbes - importante filósofo contratualista - atribui ao Estado o dever de assegurar o bem-estar social. Ocorre que, no Brasil, mais de 1 milhão de trabalhadores gastam mais de uma hora com deslocamentos para o emprego, o que impede o maior tempo para a vida pessoal, de sorte que aumenta o cansaço físico e mental. Ademais, o tema “saúde mental” não é frequentemente introduzido em sala de aula, o que inibe a existência de senso crítico relacionado jornadas de trabalho excessivas, dedicação extrema ao serviço e expõe os indivíduos aos riscos da síndrome de Burnout, contradizendo o ideal de Hobbes. Assim, enquanto o silêncio estatal for a regra, a sociedade brasileira será obrigada a conviver, por vezes, sem ciência disso, com um dos mais trágicos problemas do milênio: o esgotamento profissional.
Posto isso, urge que todo brasileiro tenha conhecimento e saiba como lidar com essa mazela social. Para que isso seja possível, cabe às escolas - formadoras de cidadãos - introduzir o tema na vida das crianças e adolescentes por meio de projetos pedagógicos, como oficinas e palestras. A medida pode se chamar “Saúde Física e Mental”, convidar os pais para alguns desses encontros e teria a finalidade de ressaltar a imprescindibilidade da preservação da saúde mental para qualquer área da vida do infante e orientar o jovem sobre jornadas de trabalho excessivas. Desse modo, no futuro, o Brasil será uma nação distante dos perigosos efeitos da Síndrome de Burnout.