Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 28/11/2020

Com o advento da Revolução Industrial, no século XVII, houve uma grande mudança no processo de produção. Nesse novo cenário fabril, pessoas eram submetidas à condições precária de trabalho, assim, eram obrigadas a trabalhar em uma jornada de trabalho maior e sem descanso. Logo, esses trabalhadores adoeciam, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Semelhantemente a essa época, no contexto contemporâneo, mesmo com a chegada das leis trabalhistas que surgiram no século XX, a população continua adoecendo, a diferença é que esse adoecimento ganhou um nome: Síndrome de Burnout. Essa síndrome que é o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional tem alguns fatores desencadeantes que vão muito além do trabalhador: a negligência das empresas contratantes e a falta de discussões a respeito da problemática em questão.

É relevante abordar, primeiramente, que esse fenômeno ocupacional está incluído na 11° Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID- 11), que entrará em vigor em 2022. Lamentavelmente, percebe-se o quão ignorado foi esse tema nas últimas décadas, e o quanto ele ainda é negligenciado pelas empresas contratantes, muitas vezes, os profissionais que apresentam os sintomas e pedem ajuda são taxados como dramáticos e desocupados e, nessa displicência das instituições, pioram o problema do trabalhador, podendo gerar também, pensamentos como de suicídio. Em estimativa feita pela International Stress Management Association no Brasil, trinta por cento dos mais de cem milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout.

Paralelo a isso, vale também ressaltar que a falta de discussões a respeito dessa síndrome tem causado a persistência dessa problemática. Isso é retratado na falta de conhecimento sobre o assunto, tanto por parte da população quanto pelas instituições empregatícias. Um artigo publicado na revista de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco, retrata muito bem essa questão, foram avaliadas o conhecimento da equipe de enfermagem obstétrica acerca da Síndrome de Burnout, e como conclusão obteve-se que a maioria das entrevistadas alegaram não conhecer sobre o assunto.

Portanto, concluí-se que a negligência das empresas contratantes e também a falta de discussão sobre a Síndrome de Burnout são causa da perpetuação dessa problemática. Entretanto, medidas governamentais devem ser tomadas para reverter esse cenário. Posto isso, cabe às entidades fiscalizadoras, monitorar as empresas e seus trabalhadores, propondo questionários aos empregados, que irão identificar sintomas e diagnosticar suas causas. Ademais, a mídia deve elaborar debates e divulgações sobre o tema. Desse modo, certamente, esse problema secular se extinguirá.