Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 02/12/2020
No livro “Sociedade do cansaço”, escrito pelo filósofo Byung-Cul Han, evidencia-se uma sociedade que faz acreditar que o único responsável pelo sucesso é o próprio indivíduo, abolindo as suas diferenças individuais e tornando-o um artífice de si mesmo. Fora dessa obra, semelhantemente, observa-se uma série de fatores que colaboram com o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional - provocando a Síndrome de Burnout. Notadamente, o sistema capitalista desigual e a pressão por hiperprodutividade ameaçam a integridade física e mental do profissional, tornando-o suscetível a desenvolver doenças psicossomáticas, transtorno de ansiedade, depressão e até mesmo doenças cardiovasculares.
Esse quadro de exaustão é causado principalmente pelo sistema capitalista desigual, uma vez que esse estimula o trabalhador a produzir cada vez mais para não ser substituído, assim, um padrão -problemático - de hiperprodutividade e autocobrança, associado ao sucesso, é estabelecido na sociedade. Indicando, portanto, o poder da coercitividade - característica proposta pelo sociólogo positivista Émile Durkheim - sobre o indivíduo, ou seja, a necessidade de agir conforme as normas e valores sociais vigentes, visto que, do contrário, sofreria julgamentos e seria prejudicado.
Em decorrência disso, uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association (ISMA) mostra que 3 a cada 10 trabalhadores brasileiros sofrem da Síndrome de Burnout. Além disso, as doenças como a insônia, dor de cabeça, pressão alta, transtorno de ansiedade, doenças cardiovasculares e até mesmo a depressão estão mais frequentes, esses fatores críticos prejudicam, não somente o âmbito profissional - interferindo na capacidade produtiva -, como também na vida pessoal do indivíduo, afetando sua capacidade de relação interpessoal e intrapessoal. Tendo em vista o que foi abordado, é necessário solucionar o problema em questão.
Dessa forma, é imprescindível que medidas sejam tomadas para melhorar a qualidade da saúde mental e física do profissional. Para isso, as empresas poderiam disponibilizar aos seus funcionários espaços de recreação, salas de descanso e palestras de conscientização psicossocial, para que haja uma redução do estresse cotidiano e desconstrução da busca irreal por produtividade máxima. Ademais, os Ministérios da Saúde e da Educação, por meio de palestras e das mídias sociais, devem abordar a importância do autocuidado para a preservação da saúde física e mental, a fim de evitar uma sociedade do cansaço, assim como na obra de Byung-Chul Han.