Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 14/12/2020

O filme “Tempos Modernos”, um clássico de Charlie Chaplin produzido na década de 30, mostra a rotina exaustiva de um operário numa linha de montagem, sempre cobrado por produtividade e desempenho. Hodiernamente, essa realidade faz parte do mercado capitalista atual, o que corrobora o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, a síndrome de Burnout. No entanto, na atualidade isso é ocasionado devido à auto cobrança e à coação pelos aparelhos digitais.

A priori, é preciso ressaltar que a sociedade atual vive a era da cobrança excessiva de si mesmo, a qual a todo instante se cobra para estar produzindo. Conforme afirma o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra “A Sociedade do Cansaço”, a contemporaneidade é marcada por um excesso de busca pelo alto desempenho, o que culmina em diversas doenças. Nesse viés, a pressão de desempenho aplicado consigo mesmo em virtude de produção e em detrimento do próprio bem-estar e saúde é a nova característica da sociedade pós-moderna do trabalho. Segundo a revista Superinteressante, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de incluir a síndrome de burnout na Classificação Internacional de Doenças, que lista enfermidades e estatísticas de saúde que serão prevalentes nos próximos anos. Logo, toda essa conjuntura da própria auto exploração do trabalhador pode ocasionar rupturas na sua saúde, tanto emocional, como física, o que caracteriza o esgotamento profissional, necessitando de medidas para a sua minimização.

Ademais, outro fator que corrobora a síndrome de burnout é o excesso de tecnologias e o seu uso indiscriminado para o trabalho. Nesse viés a Revolução Técnica-Cientifica trouxe grandes avanços e aprimorou as relações profissionais. No entanto, o uso de aparelhos digitais entre trabalhador e chefes criou uma nova forma de exploração e uma hipervigilância. Isso porque, devido à sua mobilidade, transformam qualquer lugar em local de trabalho e todo o tempo disponível em horário de produção. Assim, as barreiras delimitadas que definiam o local de trabalho são suprimidas e os funcionários passam a ter que produzir a todo o momento. Essa situação permeada pelo excesso de informação e desempenho pode levar ao esgotamento físico e mental.

Portanto, visto as causas da síndrome de burnout, é necessário medida que reverta essa situação. Para isso, urge que o Ministério da Saúde em parceria com as empresas criem campanhas de conscientização para funcionários e chefes. Isso será realizado por meio de debates ministrados por psicólogos, em que esclareçam a síndrome e como evitá-la, frisando a importância de delimitar as relações por aparatos tecnológicos e medidas de como dispersar o cansaço, assim como a importância de diminuir a auto cobrança, a fim de obter-se uma sociedade mentalmente e fisicamente saudável.