Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 03/12/2020

A doutrina religiosa calvinista, instituída no século XVI, acreditava que o trabalho, além de ser um meio de acumular capital, era uma das mais importantes virtudes para um cristão. Esse pensamento se difundiu amplamente em parte da Europa e contribui para a atual importância dada a essa atividade. Diante desse cenário, nota-se que a rotina dinâmica e tensa em algumas ocupações induz doenças de ordem física e mental no trabalhador. Assim, a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento profissional, está associada a anomalias comportamentais no ambiente profissional, as quais impactam negativamente a vida do próprio trabalhador e da empresa.

Verifica-se, a priori, que os comportamentos excessivos no trabalho podem estar ligados ao ideário de que “o trabalho dignifica o homem”, amplamente difundido na sociedade. Sob essa perspectiva, é relevante destacar o conceito de Sociedade do Desempenho, definido pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Hal como o estado onde o próprio sujeito, na busca pelo melhor desempenho produtivo, entrega-se à autoexploração. Nesse sentido, o indivíduo, por estar inserido em um meio que acredita-se que a força de vontade individual é suficiente para atingir qualquer objetivo, sujeita-se ao trabalho excessivo e aos malefícios inerentes a essa atitude. Logo, fica claro que o esgotamento profissional advém da convicção de que o exercício do trabalho está acima de todas as outras coisas.

Por conseguinte, observa-se que esse hábito, além de ferir a dignidade humana, acarreta doenças socioemocionais. Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 15% da população brasileira já foi vítima da Síndrome de Burnout, a qual acarreta prejuízos individuais e profissionais. Nessa perspectiva, diante de um ambiente de trabalho hostil, o colaborador desenvolve sintomas como depressão e ansiedade, de forma que ele é afastado das suas funções e, portanto, distancia-se do seu meio social e de subsistência. Ademais, verifica-se que, além do prejuízo pessoal, esse quadro afeta as próprias empresas, haja vista que o afastamento de um funcionário prejudica suas atividades, o que demonstra a necessidade de mecanismos de prevenção da fadiga ocupacional.

A partir do exposto, constata-se que o Burnout é recorrente na sociedade contemporânea e impõe perdas sociais e coletivas. Assim, com o objetivo de diminuir a incidência dessa comorbidade no ambiente profissional, é dever das empresas adotar, por meio da atuação de psicólogos, ações preventivas que identifiquem colaboradores mais suscetíveis à estafa laboral e os adéquem à novas funções se necessário. Para tanto, os profissionais de saúde mental devem, continuamente, questionar os colaboradores acerca do seu estado emocional e reportar para os responsáveis. Assim, alcançar-se-a um ambiente profissional menos hostil e menos propenso a doenças psicossociais.