Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 07/12/2020
Tendo em vista os efeitos da globalização no setor empresarial, os mais afetados são os trabalhadores, pois presenciam a incansável busca pela perfeição e a competitividade do mercado de trabalho. As exigências são tantas que é comum o desenvolvimento de distúrbios psíquicos que afetam a vida pessoal do individuo, como a Síndrome de Burnout, marcada pela esgotamento físico e emocional. No Brasil, as mulheres são as mais suscetíveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos por motivos dos inúmeros desafios enfrentados no meio socioeconômico, manifestada por meio de desigualdade salarial e vulnerabilidade financeira. Além disso, a junção de tarefas domésticas com a jornada de trabalho sobrecarregam mais o grupo feminino do que o masculino.
Em primeira análise, é evidente que o papel da mulher no século XXI não é o mesmo de séculos passados, em que a figura feminina tinha como único dever cuidar de seus filhos e fazer tarefas domésticas. Prova disso, é a pesquisa realizada pelo Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em que 45% das brasileiras são a chefe de família. Seguidamente, a disparidade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função é um problema presente no mercado de trabalho. O contraste desses fatores indicam maior vulnerabilidade financeira e emocional do público feminino, já que possuem a responsabilidade de cuidar da família com uma quantia de dinheiro menor e precisam lidar com situações de estresse no meio externo, como assédio moral e sexual.
Ademais, mesmo que as mulheres tenham a oportunidade de conquistar autonomia financeira por meio de ingresso no mercado de trabalho, as tarefas domésticas continuam sendo consideradas femininas, apontando a presença de uma dupla jornada. Tal concepção machista é comprovada na pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), em que as mulheres trabalham, em média, 21,3 horas semanais em afazeres domésticos, enquanto os homens gastam 10,9 horas. O somatório de deveres em casa consome o tempo dedicado ao autocuidado e descanso, gerando maior exaustão e consequentemente, desgaste emocional.
Para evitar o surgimento da síndrome de Burnout entre as brasileiras, em virtude do estresse diário, ocasionado, principalmente, pela falta de descanso e acúmulo de tarefas, é mister que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Trabalho, crie estratégias mais eficientes. Para tal, é necessário que haja investimento de verbas públicas em construções de instituições, como escolas e creches, a fim de oferecer vagas de emprego em maior número para as regiões mais afastadas do centro, para que, assim, o tempo gasto durante a locomoção do trabalho para a residência não seja exacerbado e haja maior adesão ao cuidado da saúde mental.