Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 13/12/2020

A Organização Mundial da Saúde classificou, em 2019, a Síndrome de Burnout - patologia que configura o esgotamento mental do trabalhador- como uma doença da contemporaneidade que tem como característica o estresse crônico. No entanto, diferente do maior órgão de saúde do mundo, a população e os empresários não dão o devido reconhecimento a essa mazela, que se espalha principalmente devido às novas tecnologias e a instabilidade da economia, acometendo assalariados por todo o planeta.

Diante desse cenário, é importante ressaltar que a introdução da tecnologia no mundo do trabalho foi fundamental para aumentar o contato do trabalhador com a produção. Tal situação foi permitida pela Terceira Revolução Industrial, que ocorreu no final do século XX e teve como principal característica o advento da máquina inteligente, como os computadores. Com esse contexto, o empregado passou a se tornar refém do emprego, uma vez que foi submetido ao contato permanente com a empresa, além das horas previstas em contrato, por meio do celular, sendo explorado 24 horas e tornando-se suscetível ao esgotamento profissional. Nesse viés, enquanto a exploração trabalhista diária existir, o mundo lidará com uma perigosa doença: a Síndrome de Burnout.

Além da tecnologia, outro fator que também vulnerabiliza o cidadão para o esgotamento profissional são os períodos de crise econômica. A esse respeito deve-se levar em consideração o contexto do Brasil, nação emergente em recessão financeira desde 2013, que apresenta hoje 14 milhões de pessoas sem trabalho formal em seu território, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Com esse quadro de instabilidade, o trabalhador vive em constante temor pela sua vaga de emprego, já que o desemprego conjuntural permanece presente e estimula a competição exarcebada, o que gera estresse e vulnerabiliza para problemas psicológicos graves como a ansiedade e depressão. A partir desse panorama, deve-se tomar medidas para tratar a mente da principal vítima da estagnação da economia: o trabalhador.

Portanto, fica evidente que medidas precisam ser tomadas para evitar a disseminação da Síndrome de Burnout. Para isso ocorrer, o Ministério Público do Trabalho, executando seu papel de proteger os direitos do trabalhador, deve fiscalizar empresas que possuem denúncias de abuso da carga horária de seus empregados, atuando de modo a fazer visitas surpresas nesses locais, entrevistando assalariados sobre as possíveis irregularidades e punindo as que estiverem infringindo a lei. Isso ocorrerá a fim de impedir que o indivíduo seja explorado e chegue ao seu limite físico e emocional. Com essas medidas, sendo otimista, o Brasil poderá se ver livre do esgotamento profissional.