Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 01/01/2021

Em sua música “Construção”, Chico Buarque declara: “Subiu a construção como se fosse máquina”. Tal expressão representa a vivência de diversos trabalhadores que atuam de modo sobrehumano, o que caracteriza a síndrome de Burnout, a qual deriva tanto da supervalorização do sucesso profissional pela sociedade quanto da negligência das empresas e do Poder Estatal.

A princípio, o alto nível de desempenho profissional é preconizado entre a população. Essa conjuntura iniciou-se nos Estados Unidos, no século XVIII, com a figura do “Self-made man”, os quais eram sujeitos que ascenderam de classe social por meio do trabalho. Por consequência, o imaginário social foi influenciado pela crença na meritocracia como meio de crescimento socioeconômico. Nesse contexto, em face das desigualdades sociais inerentes ao sistema capitalista, muitos indivíduos optam por exercer atividades laborais durante períodos extenuantes, em detrimento do descanso físico e mental, com o sonho de acumular mais capital. Portanto, o ideal de subida de camada populacional impele os indivíduos à Sindrome de Burnout.

Ademais, a conivência empresarial  e a inação estatal propiciam a problemática. Quanto aos empreendimentos, ao relacionar a teoria da Mais-valia - do filósofo alemão Karl Marx - segundo a qual o capitalista obtém lucro por intermédio  da exploração dos operários, depreende-se que a labuta excessiva em busca de maior produtividade é de interesse dos detentores dos meios de produção, os quais a estimulam, por exemplo, com o ranqueamento de funcionários, comissões e outras estratégias. Por outro lado, o Estado não intervém nessa conjuntura para garantir a salubridade dos colaboradores, o que viola a Constituição Federal, que estabelece o Poder Público como promotor da saúde.

Dado o exposto, é crucial superar a condição atual. Para tanto, o Congresso Nacional, por meio de discussão com empresários, entidades de classes e profissionais da saúde, deve aprovar projeto de lei que obrigue as empresas a fornecer acompanhamento psicológico aos colaboradores, além de custear a produção e veiculação de publicidades esclarecedoras dos malefícios do trabalho exagerado, a fim de evitar esse quadro. Assim, é possível combater a prevenir a ocorrência da doença psicológica em questão.