Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 11/12/2020
No filme “Tempos Modernos”, Charlie Chaplin demonstra a rotina enlouquecedora de um operário, com destaque a uma cena célebre, em que o protagonista persegue uma mulher por pensar que os botões de sua roupa são os parafusos que ele precisa apertar. Tal questão transcende a obra cinematográfica e mostra-se presente na conjuntura hodierna, por meio do esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, o que resulta no quadro de Síndrome de Burnout, uma vez sustentado pelo receio ao desemprego, no qual traz prejuízos sérios à saúde dos brasileiros. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.
Em princípio, vale destacar que o trabalhador, com medo de perder seu ofício, conforma-se com as circunstâncias esgotantes de seu cargo. Nesse viés, conforme o escritor francês Émile Zola, em seu livro “Germinal”, é evidenciado que diante da ameaça ao desemprego, o funcionário aceita as jornadas exaustivas e as piores condições de trabalho. Sob tal ótica, os indivíduos possuem a preocupação de se encontrarem sem emprego e se sobrecarregam em suas ocupações, o que faz com que aceitem as exigências imoderadas de seus gestores. Logo, os trabalhadores admitem essas adversidades e se oprimem diariamente, com um cansaço ininterrupto e um estresse crônico no local de serviço.
Conquanto, os problemas não se limitam em sua causa, mas também estão muito presentes em suas consequências, como os malefícios à saúde dos empregados. Nesse sentido, consoante ao filósofo Confúcio, “o homem joga sua saúde fora para conseguir dinheiro, depois usa o dinheiro para reconquistá-la novamente”. Acerca dessa lógica, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior taxa de ansiedade, a qual possui como principais causas as cobranças diárias, o excesso de atividade e a pressão psicológica, o que aumenta a predisposição dos trabalhadores a problemas psicossociais graves e ao Transtorno Depressivo Maior. Destarte, o cidadão é propício a danos relevantes em seu bem-estar, originados, principalmente, de sua vida profissional.
Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves relacionados à Síndrome de Burnout, para a resolução desse revés. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cidadania, crie programas de monitoramento da saúde de todos os funcionários nas empresas - os quais devem abranger sessões de relaxamento e terapias -, por meio de colaborações entre fisioterapeutas e psicólogos, com a participação de gestores que se encarreguem exclusivamente da divisão de funções e do planejamento de trabalho, com intuito de cessar a síndrome ocupacional e suas consequências na saúde do trabalhador. Dessa forma, o fato exposto por Chalie Chaplin será distanciado da realidade brasileira.