Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 15/12/2020

O dinheiro não traz felicidade, mas traz uma sensação tão parecida que é necessário um especialista para ver a diferença. Tal citação do renomado autor Oscar Wilde designa o atual cenário do mercado de trabalho, no qual muitos profissionais, em busca da ascensão econômica, sofrem os efeitos do esgotamento físico e mental, também conhecido como síndrome de Burnout. Desse modo, no que tange a esse quadro desgastante, pode-se pontuar os seguintes problemas: o descuido com o próprio bem-estar e os efeitos da alta concorrência no espetro coorporativo.

Primeiramente, é imprescindível destacar que a saúde é colocada em segundo plano em função do grande esforço direcionado para a carreira profissional. Segundo o filósofo Confúcio, o homem joga fora sua saúde para conseguir dinheiro; depois, usa o dinheiro para reconquistá-la. À vista disso, o trabalhador, que busca incansavelmente o sucesso financeiro, se expõe a um excesso diário de informações e negligência todo o estresse da rotina cansativa que decorre disso, além da falta de suporte fornecido pelas empresas, uma vez que elas têm como objetivo fundamental o lucro, resultando, assim, em uma péssima qualidade de vida. Sob esse viés, o indivíduo pode gerar futuras doenças como depressão e ansiedade.

Ademais, esse efeito negativo também se evidencia na grande competitividade no mercado de trabalho. Na série da HBO “Industry” - que acompanha 5 jovens a procura do destaque profissional - o rapaz chamado Hari, ao tentar compensar sua origem pobre, trabalha longas horas após o final do expediente e abusa de drogas neuroestimulantes, que posteriormente provocam sua morte. De maneira análoga, com o advento da globalização, milhares de pessoas podem competir pelo mesmo cargo, que gera um enorme aumento na concorrência, exigindo dos oponentes uma maior preparação e dedicação para manter a vaga almejada. Logo, o Burnout pode apresentar os primeiros indícios antes mesmo da conquista do trabalho desejado.

Diante do exposto, urge, portanto, medidas para a resolução do impasse. Dessa forma, é preciso que a saúde mental e física tenha a mesma importância que as atividades profissionais. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com, o Ministério da Economia, por meio de um projeto de lei entregue à câmara, determinem que haja o acompanhamento dos funcionários das empresas brasileiras com psicólogos, que irão pelo menos uma vez por mês ao local averiguar a qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores, visando o bom funcionamento da esfera financeira e pessoal da comunidade. Nesse sentido, a observação feita por Oscar Wilde será conferida.