Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 16/12/2020
No final do século XVIII a humanidade começou a passar por grandes mudanças, tal qual as proporcionadas pelas revoluções industriais, o que reverberou em novos modos de trabalho e perfis de trabalhadores. Em um mundo pós quarta revolução industrial é essencial que, para se manter no mercado, os indivíduos apostem em habilidades competitivas e se esforcem para gerar resultados positivos constantes. Isso, aliado a fatores como uma sociedade em ritmo constante e frenético, vem causando malefícios à saúde da população e esgotando os trabalhadores de forma contundente.
Primeiro, devemos apontar que apesar de existir facilidades proporcionadas pela tecnologia, o homem ainda existe sob o aspecto de uma realidade determinada pelo seu trabalho. Conforme Kant, o homem é o único animal que precisa trabalhar, contudo, quando esse trabalho excede seus limites e o impulsiona para a exaustão física e mental, o Estado há de se responsabilizar e fazer valer seu poder de fiscalização para que aquele cidadão tenha seus direitos constitucionais garantidos. O descumprimento dos direitos assegurados ao trabalhador deve ser punido e prevenido na mesma medida.
Ainda, não podemos negar que a mão de obra especializada, comum ao novo modelo de trabalho, sofre com alta demanda de resultados. De acordo com o filósofo existencialista, Sartre, “(…)o homem não é outra coisa senão aquilo que faz de si mesmo”, todavia, a frase não está em consonância com a realidade, visto que os índices de doenças causadas por rotinas estressantes no trabalho tendem a aumentar de acordo com a Organização Mundial de Saúde. É preciso, também, entender que as relações trabalhistas, assim como afirma a Constituição Federal, ocorrem de maneira assimétrica e os patrões detém grande poder de negociação o que dificulta a possibilidade de denúncias e diálogos.
De tal forma, portanto, depreende-se que há urgência para que sanemos a problemática. Logo, cabe ao Estado fiscalizar e fazer valer os direitos trabalhistas de forma imediata. A criação de ambientes de trabalhos mais flexíveis e acolhedores deve ser uma medida urgente tomada em conjunto, pelo Ministério do Tralho em parceria com as iniciativas privadas, assim, teremos trabalhadores mais produtivos e saudáveis. Não obstante, cabe ao poder Legislativo criar leis que punam empresas que promovam ambientes tóxicos ao bem estar social de seus funcionários, assim, o homem terá liberdade para fazer de si o que quiser, conforme Sartre.