Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 18/12/2020

Na obra " O cortiço", Aluísio de Azevedo faz um retrato da sociedade brasileira do século XIX ao denunciar a exploração exaustiva da mão de obra dos moradores, expondo relações de poder e cobrança, dentro de uma habitação coletiva. Paralelo ao livro, hoje, a dinâmica laboral brasileira ainda não é satisfatoriamente humanizada, uma vez que, os trabalhadores sofrem com a exigência sistêmica e esgotam suas energias físicas e mentais estimulando doenças psíquicas. Assim, esse cenário cruel é motivado por reflexos históricos e pelo culto ao desempenho.

Precipuamente, é fundamental ressaltar, que o cansaço extremo da população laboral tem matriz histórica. Nesse viés, a estruturação do Brasil- desde o período colonial em regíme de máxima exploração- e com os direitos trabalhistas criados somente em 1943, consolidou a arcaica visão capitalista da produção que distancia o indivíduo de uma vida saudável. Tal cenário comprova o estudo  feito pelo sociólogo Karl Marx, sobre o materialismo humano, ao demonstrar que, em sociedades ordenadas pelo capital lucrativo, o valor das pessoas nas sociedades é definida pelas relações de produção. Por conseguinte, a população economicamente ativa é tratada de forma material como um artifício do mercado para lucrar, isso gera uma cruel desvalorização da vida e catalisa o propblema da síndrome de “burnout”, ansiedade e depressão.

Somado ao contexto nocivo supracitado, a revolução das comunicações articulou novas formas de poder: a autocobrança. Sob essa ótica, o filósofo moderno Byung-Chul Han, em seu livro " Sociedade do cansaço", definiu a era informacional como adoecida pela hiperatividade e a busca exacerbada de desempenho e produtividade para saciedade do ego. Ocorre que, homens e mulheres inseridos no meio laboral cobram-se, constantemente, por resultados em virtude da cultura apática de comparação frequente com o outro das redes sociais, além da necessidade moderna de aprovação, representada pelo sistema de curitdas, e acabam por negligenciar o cuidado mental e o lazer, fundamental para evitar o esgotamento epidêmico.

Fica claro, portanto, que para controlar essa perigosa síndrome do cansaço, urgem medidas efetivas. Destarte, O Ministério do Trabalho- em defesa da integridade da CLT- deve estimular o projeto " 1 dia a menos", por meio da exigência que as empresas proporcionem, pelo menos, uma vez no mês, um dia de relaxamento e integração dos funcionários, a fim de tornar cultural nas médias e grandes empresas o sentimento de empatia, valorização da vida e reduzir a autocobrança. Dessa forma, o trabalhor será motivado ao lazer e o descanso e a exploração exaustiva ficará  restrita ao “Cortiço” do escritor naturalista.