Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 23/12/2020

No ensaio “Sociedade do Cansaço”, o autor sul-coreano Byung- Chul Han contextualiza a Síndrome de Burnout como um reflexo da deficiência que os humanos têm em se desconectar do seu mundo frenético de trabalho. Sob essa ótica, o distúrbio psíquico também afeta o estado físico, fazendo com que o esgotamento mental impossibilite que o corpo social se mantenha ativo. Dessa forma, por não estabelecerem limites e pelo esgotamento físico e mental, as pessoas nao controem laços estáveis com o trabalho, ocasionando um processo de alienação imperceptível que reflete em uma auto-escravidão imposta pela sociedade.

Nesse sentido, em um contexto de industrialização, o filósofo alemão Karl Marx propôs a teoria da alienação entre a burguesia e o proletariado que se evidencia atualmente. Assim, para satisfazer e ser útil na vida professional, as pessoas, mesmo com as diversas leis trabalhistas, submetem-se a condições extremas, como trabalhar por mais de oito horas por dia. Logo, com o esgotamento físico gerado pela exploração e com a auto-cobrança, a Síndrome de Burnout se revela, podendo ocasionar outros problemas como o sedentarismo, por exemplo.

Sob essa perspectiva, o documentário “Da Servidão Moderna” afirma que hoje se vive uma espécie de escravisão por vontade. Isso é consequência do condicionamento psicológico que foi construído na vida profissional, afetando o rendimento e o monitoramento mental da sociedade. Assim, nota-se como o corpo social se tornou ganancioso pelo lucro obtido com o trabalho e nem percebem que o usam como “válcula de escape” da realidade, ficando ainda mais esgotado e conectado com a rotina frenética.

Portanto, cabe à OMS em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, OIT, a qual garante a paz no ambiente de trabalho, promover a contratação de profissionais da saúde psiquíca, que possam atender os profissionais no próprio local de trabalho, por meio do estabelecimento de um local adequado e dinâmico. Ademais, devem estimular a prática de atividades físicas para que os funsionários possam entreter a mente e se desprender do esgotamento. Como efeito social, a Síndrome de Burnout não será mais um empecilho na vida profissional, pois as pessoas irão se desconectar do trabalho e não irão se auto-escravizar durante todo o tempo.