Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 27/12/2020
No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin mostra a rotina exaustiva do trabalho nas fábricas. Na obra, são retratados os efeitos nocivos do serviço excessivo à saúde física e mental do indivíduo, o que fez até com que ele confundisse os botões na roupa de uma moça com parafusos a serem apertados nas máquinas. Fora da ficção, os malefícios produzidos pelo exagero apresentado também existem e causam o esgotamento profissional e o declínio do ser humano. Dessa forma, surge a Síndrome de Burnout, doença causada pelo abuso na atividade laboral. Tal problemática persiste por raízes históricas e sociais e apresenta diversos efeitos negativos aos trabalhadores.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, com a dissolução da União Soviética, em dezembro 1991, houve o estabelecimento oficial do capitalismo como sistema mundial. Dessa forma, começou a ser dada uma importância exagerada para o dinheiro, e a busca por ascensão econômica e, como consequência, social passou a fazer parte da vida da população. Assim, no quadro trabalhista, o proletariado se transformou e, hoje, excede o próprio limite para conquistar aquilo que deseja. Além disso, existe muita comparação com outras pessoas, devido ao desejo de se sentir capaz e suficiente. Nesse âmbito, nasce a autocobrança e a pressão em demasia, que levam a cargas de trabalho exorbitantes, para que seja possível passar uma imagem de eficiência e capacitação.
Por conseguinte, ocorre a degradação física e mental do indivíduo, que sofre pela exaustão extrema. Ademais, esse cansaço pode levar à falta de atenção, fazendo-o cometer erros sucessivos e ter menor rendimento no serviço. Além do exposto, existe a perda de valores, já que muitas pessoas fazem tudo o que for necessário para ter sucesso no emprego, ainda que, para isso, se esqueça de seus princípios. Nesse contexto, um exemplo é visto no enredo de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. No livro, ao começarem a trabalhar e conquistarem o poder, os animais passam a ter características humanas, tornam-se seres ambiciosos e egoístas e abandonam sua dignidade, vivendo, a partir de então, apenas em função das próprias necessidades.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem histórica e social dificultam o combate à Síndrome de Burnout no mundo contemporâneo. Destarte, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Logo, é papel das empresas da qual os trabalhadores fazem parte o cuidado e a empatia com eles, a fim de que haja melhores condições no emprego. Isso deve ser feito por meio da realização de campanhas de autocuidado, as quais os incentivem a respeitar o próprio limite, além da não imposição de cargas horárias e funções degradantes. Com essas medidas, será possível criar ambientes de trabalho onde só existam respeito e relações benéficas.