Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 20/10/2021
A Primeira Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra, ressignificou o papel social do trabalhador, colocando-o próximo ao maquinário fabril, o que focaliza a capacidade de produção em detrimento da condição humana. Na contemporaneidade, ao observar a pressão imposta sobre a função da atividade laboral na coletividade, constata-se um cenário análogo à revolução britânica, mas que, por sua vez, além de física, esgota totalmente a integridade cognitiva individual, fator que faz emergir consequências, como a frequência da síndrome de “burnouts”, completo desgaste mental e mecânico, problemática que traz impactos macroscópicos à sociedade. Por isso, graças à necessidade de produtividade incessante e ao negligenciamento do autocuidado, a conjuntura assola o corpo social.
Em primeiro plano, a imposição do anseio por uma proatividade exacerbada corrobora a conjectura. Nesse sentido, o conceito de “sociedade do cansaço”, formulado pelo sociólogo coreano Byung-Chul Han, retrata como, hodiernamente, os indivíduos são instigados a adquirírem intensa produtividade para suprir os padrões laborais mínimos, o que faz com que excedam sua capacidade física e intelectiva. Dessa forma, a partir do momento em que os trabalhadores são estimulados a ultrapassarem seus limites fisiológicos em prol do cumprimento de metas irreais estabelecidas pela sociedade, o desgaste excessivo emerge e há a ocorrência frequente da síndrome “burnouts”. Logo, devido à busca incessante pela produção, evidente na obra sul-coreana, evidencia-se o gritante esgotamento na atividade laboral.
Ademais, o negligenciamento do autocuidado na prática profissional agrava, ainda mais, o quadro. Nesse viés, o documentário “Take your pills”, distribuído pela Netflix, relata o uso inconsequente de medicamentos psicoestimulantes em atividades intelectivas e o prejuízo na saúde advindo a esses, o que decorre em crises no ambiente de trabalho. Desse modo, no instante em que, ao visar o aprimoramento da performance, há um uso indiscriminado de medicamentos e, consequentemente, efeitos colaterais, percebe-se a sobreposição da produção à integridade física individual, fator que enfraquece o organismo e traz à tona uma frequência de casos de síndrome de “burnout”. Assim, graças aos obstáculos advindos ao cenário, são necessárias medidas de intervenção.
Portanto, depreende-se que a questão do esgotamento físico e mental na sociedade é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, a Secretaria do Trabalho, ao lançar mão de censos das condições trabalhistas diulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, deve, por meio do fortalecimento legislativo da CLT, aprimorar o amparo dado aos trabalhadores, a fim de inibir o total desgaste pela exigência de produtividade excessiva e, por conseguinte, ao diminuir a demanda por medicamentos, amenizar a ocorrêcia de “burnouts”, o que evitará casos análogos à revolução inglesa.