Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 04/01/2021

No filme “O estagiário”, a protagonista, Jules, é uma jovem empreendedora que luta diariamente para conciliar a exaustiva vida profissional com a vida pessoal, até que em um momento se encontra em um verdadeiro estado de esgotamento mental. Nesse sentido, fora da ficção, essa é a realidade de diversos trabalhadores brasileiros que também sofrem com o esgotamento físico e mental oriundos do excesso de trabalho. Isso ocorre devido à frequente cobrança pelos empregadores e ao discurso elitizado que compõe as atividades de lazer.

Em primeira análise, vale ressaltar que o excesso de exigências por parte dos gestores está entre os contribuintes dessa problemática. Nesse viés, conforme Michel Foucalt, filósofo francês, o poder articula-se de forma a criar mecanismos de controle e coerção, que aumentam a subordinação. Nessa perspectiva, o controle exercido pelos empregadores e a consequente subordinação dos empregados resultam em indivíduos cada vez mais focados somente no trabalho e sem preocupação com seu direito ao descanso.

Além disso, é evidente que a herança ideológica do lazer, como uma atividade destinada às elites, conserva-se até os dias atuais. Sobre isso, segundo Claudio Mazzilli, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a sociedade hierarquizada em função do capital, instaura a lógica da exclusão. Sob essa ótica, constata-se que a hierarquização da sociedade moldou o cidadão a acreditar que o lazer e descanso deve se restringir a uma parcela mais rica da sociedade. Desse modo, o lazer ganhando essa concepção elitista, contribui para que os trabalhadores não parem e tenham um tempo para cuidar de si.

Evidencia-se, portanto, que são necessárias iniciativas eficientes para resolver esse entrave. Diante disso, cabe aos gestores das empresas, por meio da análise de funcionários que estejam sob grande pressão, diminuir o nível de cobrança, com o intuito de previnir o desenvolvimento de esgotamento desses indivíduos. Ademais, é necessário que a Secretária Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, por meio da difusão de informações nos meios de comunição, como anúncios, ressalte a importância do lazer para a saúde mental e física dos cidadãos, a fim de romper com a elitização dessa atividade. Assim, haverá um ambiente que colabore com a preservação da saúde mental dos trabalhadores.