Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 11/01/2021

Segundo o sociólogo sueco Göran Therborn, em seu livro “O mundo: um guia para principiantes”, o ser humano não é nada mais que um principiante no século XXI, uma época que promete ser muito diferente das demais. Traçando um paralelo entre o pensamento do autor e a realidade mundial, tem-se que uma dessas mudanças a qual o século XXI está assistindo é a sobrecarga do indivíduo no trabalho – fato que culmina num distúrbio psíquico causado pela sua exaustão extrema: a síndrome de Burnout. Perante esse debate, é indispensável que esse problema seja veementemente enfrentado, tanto por razões de saúde física quanto mental.

Em primeiro lugar, é válido salientar os aspectos negativos desse esgotamento na integridade do sujeito. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar o filósofo humanista Thomas Morus, em sua obra “A utopia”, o qual atesta que os homens devem compreender os bens que não arrastem consigo nenhum mal. A partir desse pensamento, infere-se que o excesso de trabalho apresenta, para a maioria dos indivíduos, excelentes benefícios, como o fato de se sentir mais produtivo no ofício e, ainda, produzir mais lucro pessoal, mas, na verdade, esconde severos males: problemas digestivos, baixa imunidade e, até mesmo, dores musculares.

Em segundo lugar, é fundamental entender os impactos negativos no psicológico do trabalhador. Sob tal perspectiva, cabe mencionar a médica e escritora Ana Beatriz Barbosa, a qual atesta que todos os indivíduos possuem uma base biopsicológica e que aspectos sociais atuam profundamente nela e no seu desenvolvimento. Com base nisso, chega-se à percepção de que o esgotamento causado pela sobrecarga profissional traz graves danos à saúde mental do sujeito atingido, o qual poderá sofrer sérios transtornos emocionais, como ansiedade, agressividade e depressão. Ratifica-se, assim, que dar relevância a essa questão significa diminuir o sofrimento de inúmeras vítimas.

Por fim, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe às empresas públicas e privadas – fundamentais na geração de empregos – inserir ações voltadas para a promoção do bem-estar profissional, como palestras com profissionais da psicologia, rodas de conversas e debates abertos. Isso pode ser feito por meio de um calendário especial, o qual apresente as atividades complementares, que devem ser seguidas corretamente pelo empregado e pelo empregador. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões.