Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 16/01/2021
O advento da Segunda Revolução Industrial provocado pela descoberta da energia elétrica possibilitou a extensão do dia e, por conseguinte, do período de trabalho. Contudo, tal aumento de carga profissional avançou de maneira exponencial, ao ponto de ultrapassar os limites saudáveis e comprometer o autocuidado dos trabalhadores. Assim, as causas do problema envolvem a liquidez do mundo contemporâneo junto a uma herança cultural.
Em primeira análise, cabe citar o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual define a atualidade como tempos liquídos, onde as mudanças ocorrem em uma velocidade de difícil acompanhamento e adaptação. Sob essa ótica, a necessidade constante de produzir e estar à frente no trabalho configura uma forma de buscar acompanhar tal liquidez a todo custo. Como resultado, os trabalhadores, na tentativa de superar metas, podem comprometer seriamente sua integridade física e mental, pelo excesso de tarefas profissionais e omissão do cuidado consigo mesmo.
Além disso, vale ressaltar o valor cultural atribuído ao trabalho na sociedade. Relacionado a isso, a filósofa brasileira, Marilena Chauí, define os seres humanos como seres culturais. Nesse sentido, o processo cultural de socialização dos indivíduos internaliza a valorização do trabalho como algo primordial na vida. Logo, a alta carga profissional é um hábito culturalmente alimentado e, nesse viés, suas consequências, sejam elas boas ou ruins, são naturalizadas e, por vezes, ignoradas.
Portanto, para minimizar a omissão do autocuidado e lidar melhor com o valor cultural dado ao trabalho, as empresas, públicas e privadas, devem organizar paletras e workshops que abordem debates e práticas de relaxamento, por meio de encontros mensais, para que os trabalhadores compreendão tais atitudes como parte essencial da performance profissional e pessoal. Essas paletras e workshops devem promover a discussão das rotinas profissionais, suas demandas e consequências na vida pessoal dos responsáveis por elas, de forma a provocar autoreflexão e incentivo à observação de possíveis impactos negativos dessas rotinas. Dessa forma, pode-se caminhar para a mitigação dos casos de esgotamento ligado à vida profissional.