Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 06/01/2021

Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, defende um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de um mundo com maior consciência crítica, baseado na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão da Síndrome de Burnot, que refere-se ao esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, o que revela a necessidade da sociedade hodierna combatê-la, devido aos males ocasionados ao cidadão.

Em primeira análise, analogamente ao legado do geógrafo Milton Santos, o meio técnico-cientíco-informacional, os meio de produção tornam-se cada vez mais rápidos e produtivos. Sendo assim, houve o equívoco da idealização, na sociedade contemporânea, de rapidez e produtividade serem indissociavéis. Tal fato apresentado anteriormente pode ser exemplicado pela série da Netflix “Greys Anatomy”, em que nota-se a grande exaustão e desânimo de diversos médicos, como da personagem Meredith Grey, ao passarem grande parte de seus dias em ambientes de trabalho.

Outrossim, o desgaste mental e físico é analisado em cerca de 30% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo ISMA. Desse modo, consequências negativas, como desânimo, baixa motivação e autoestima, cansaço físico e mental, que podem encaminharem-se para uma possível depressão, são evidentes na Síndrome de Burnot. Depreende-se portanto, que há a violação da Constituição de 1988, que garante direitos fundamentais aos cidadãos, como os trabalhistas, pela falta de ética e empatia com os trabalhadores e suas concessões, como jornada de férias remuneradas.

Feita essa análise, fica evidente a necessidade de ações promotoras de mudanças coletivas. Sendo assim, o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, deve atuar realizando palestras e debates acerca da importância de pausas para descanso ao longo do dia e finais de semana, através de escolas e associações de bairro, de modo a garantir maior conscientização acerca dos males causados pelo trabalho em excesso. Ademais, é de extrema importância que o Estado, como gestor social, realize maior fiscalização de empresas que não cumprem com os direitos sociais obrigatórios à seus trabalhadores, por meio do setor Judiciário, com o intuito de que os cidadãos sejam assentidos com suas concessões. Somente assim, poderão ser seguidos os preceitos propostos por Adorno, de modo que haja maior respeito às diferenças e consequentemente menor esgotamento físico e mental ligados a vida profissional ocasionados pela Síndrome de Burnot.