Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 07/01/2021
O filme “Tempos Modernos” retrata um operário industrial que quando submetido a condições ruins de emprego, como a repetição exaustiva de um único movimento, apresenta sintomas de insanidade mental. Paralelamente, os trabalhadores hodiernos também demonstram indícios de desgaste físico e mental causados pelo trabalho em demasia, ocorrência denominada síndrome de Burnout. Desse modo, devem-se analisar as relações de trabalho ao longo da história e o predomínio tecnológico no meio laboral.
A priori, a herança histórico-cultural colabora para a manutenção da situação de sobrecarga à qual os trabalhadores estão sujeitos. Isso porque, consoante o sociólogo Max Weber em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, construiu-se o pensamento de que o trabalho é uma virtude e o ócio algo condenável, esse devendo ser suprimido em nome da produção. Nesse contexto, ditados populares como “Deus ajuda quem cedo madruga” é uma constatação da naturalização da ideia de que apenas com muitas horas de expediente será possível ser bem-sucedido. Assim, as pessoas se levam ao esgotamento físico e mental, pois tendem a destinar pouco ou nenhum tempo para descansar e cuidar da saúde, ficando suscetíveis à insônia, ansiedade e pressão alta, por exemplo.
Ademais, as atuais relações de trabalho somadas ao avanço da tecnologia contribuem para a piora do quadro de Burnout entre os trabalhadores. Tal fato ocorre porque, visando sempre o lucro, os empregadores exercem pressão sobre seus funcionários pela eficácia na produtividade e recompensam esses que a atingem, fazendo o empregado se sentir um fracassado diante da falha. Atrelado a isso, o desenvolvimento dos meios de comunicação prejudica, em parte, o bem-estar do contratado - pois o virtual redefine as noções de tempo e espaço, conforme defende o sociólogo Pierre Lévy – o que possibilita a realização de um trabalho em tempo integral. Dessa forma, muitos patrões se apropriam dos meios digitais para realizar cobranças do funcionário mesmo fora do ambiente físico laboral, sobrecarregando-o.
Portanto, urge que o Poder Legislativo amplie a proteção à saúde do trabalhador, por meio da soma à CLT de normas específicas que coíbam práticas de sobrecarga trabalhista, como a proibição do pedido de afazeres fora do expediente laboral pelo empregador para o empregado. Além disso, as firmas devem promover palestras ministradas por psicólogos acerca da importância do equilíbrio entre os âmbitos profissional e pessoal, destacando a relevância dos momentos de descanso e lazer para uma vida saudável, com o intuito de desconstruir a “romantização” do trabalho em excesso e prevenir a Síndrome de Burnout.