Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 07/01/2021
O filme “Tempos Modernos”, do século XX, conta como o trabalho repetitivo e exaustivo afetava a vida dos funcionários, na medida em que ocupava todo o tempo deles, impedindo, assim, que tivessem descanso. Analogamente à ficção, esse cenário ainda é uma realidade no Brasil, uma vez que o emprego compulsório tem gerado o esgotamento físico e mental dos trabalhadores. Destarte, entender que a concorrência e a redução da produtividade são, respectivamente, causa e efeito desse problema , é fundamental para um país que se diz democrático.
É sabido, antes de tudo, que a competitividade no mercado de trabalho gera o cansaço físico e mental dos profissionais. Após a Guerra fria, o capitalismo se consolidou como modelo econômico dominante, forçando os países a se adequarem as suas regras. Desse modo, a concorrência, característica básica dessa ideologia, incentiva as pessoas a buscarem altos desempenhos em todas as esferas sociais, como uma forma de alcançar os postos de trabalho mais visados. Contudo, de acordo com Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, esse cenário está tornando os indivíduos extremamente cansados, porque abrem mão de suas horas de lazer a fim de se aperfeiçoarem e, consequentemente, serem os melhores. Nesse sentido, pode-se afirmar que os profissionais continuam inseridos na lógica industrial mostrada no filme de Chaplin, haja vista que, embora tenham a opção de ter tempo livre, preferem ocupá-lo com as obrigações laborais.
Ademais, convém destacar que o desgaste emocional e corporal afeta a qualidade dos serviços oferecidos. Nesse viés, segundo Thomas Hobbes, filósofo da modernidade, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Entretanto, no Brasil, nota-se o exato oposto no que diz respeito ao conforto dos funcionários, uma vez que são expostos a trabalhos cansativos, os quais permitem que a Síndrome de Burnout, esgotamento mental e físico dos profissionais, alcance mais de trinta milhões de brasileiros, conforme dados da Organização da Saúde (OMS). Dessa maneira, pode-se afirmar que tal doença oferece prejuízos ao mercado de trabalho, uma vez que os empregados, ao conviverem com insônia e dor de cabeça, têm sua produtividade reduzida, o que diminui o padrão do atendimento ofertado.
Torna-se claro, portanto, que a Síndrome de Burnout é uma realidade brasileira que deve ser combatida. A fim de conseguir isso, é fundamental que o Ministério do Trabalho promova ,em cada estado, uma reunião entre empresários e gestores estatais, sugerindo a criação de salas de descanso no ambiente de trabalho e oferecimento de acompanhamento regular com psicólogos, aos funcionários, por meio da redução da pressão sobre eles e , consequentemente, aumento da produtividade laboral. Assim, será possível mitigar essa patologia e a história contada por Chaplin ficará restrita ao cinema.