Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 11/01/2021

Com a Terceira Revolução Industrial, marcada pelo desenvolvimento da robótica e informática, houve o aumento da cobrança do trabalhador em realizar inúmeras tarefas com prazos de entrega curtos e com a necessidade de atingir a perfeição. Essa alta demanda trouxe consigo o desenvolvimento da Síndrome do Esgotamento Profissional, conhecida como Burnout, que aflige mais de 30 milhões dos trabalhadores brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da negligência dos empregadores e da autocobrança dos trabalhadores.

Diante desse cenário, convém ressaltar, a princípio, a postura dos empregadores perante o problema. Segundo o ideário do filósofo Karl Marx, os burgueses exploram o proletariado com objetivo de lucrar com o seu trabalho. Nesse sentido, os empregados são sobrecarregados com atribuições diárias que acabam por se acumular e são cobrados incessantemente por sua resolução. Dessa forma, a negligência e a falta de empatia dos patrões para com a saúde mental de seus funcionários corroboram para a construção de um cenário propício ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout.         Outrossim, cabe-se analisar a autocobrança dos trabalhadores. De acordo com o filósofo sul-coreano Byung-chul Han, em sua obra “A Sociedade do Cansaço”, o indivíduo tende a se cobrar cada vez mais em busca de maximizar os seus resultados e se encontra em um estado de hipervigilância, que vem acompanhado do cansaço e do esgotamento. Nesse sentido, a busca pela aprovação e visibilidade dentro de seus trabalhos caracteriza-se como agravadora do imbróglio, haja vista que para ascender em sua carreira, o profissional deve se destacar.

Portanto, faz-se mister que o Estado proponha medidas que atenuem o impasse. Para isso, cabe às empresas criar novos métodos de gerenciamento de produtividade consoantes ao bem estar dos funcionários, por meio da contratação de psicólogos organizacionais, que deverão realizar seções individuais, semanalmente, a fim de dialogar sobre os desafios profissionais e combater a Síndrome do Esgotamento Profissional nos ambientes laborais. Dessa maneira, espera-se que a saúde mental dos trabalhadores passe a ser valorizada e que o número abordado pela OMS seja diminuído.