Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 08/01/2021

Charlie Chaplin, na obra cinematográfica “Tempos Modernos”, protagoniza a exploração e a alienação do trabalhador durante a Revolução Industrial. Todavia, as adversidades no ambiente laboral perduram-se, de outra forma, no Brasil contemporâneo, visto que parcela da população enfrenta a Síndrome de Burnout, a qual é o reflexo do esgotamento mental do trabalhador. Logo, é preciso haver mudanças em prol de consolidar os direitos trabalhistas determinado pela Constituição Federal e de superar tal doença - seja desconstruindo a mentalidade capitalista, seja valorizando profissionais que trabalham sob intenso estresse emocional.

Isto posto, é preciso pontuar a influência da mentalidade capitalista no desleixo com a saúde mental do trabalhador. Nesse viés, segundo o economista Ludwig Von Mises, as condições de vida do período que antecedeu a Revolução Industrial eram insatisfatórias, de maneira que o desenvolvimento econômico contribuiu para uma nova experiência comercial. Desse modo, o trabalho ganhou ainda mais relevância e tornou-se um Direito Social, originando, assim, uma sociedade que valoriza o serviço intenso. Paralelamente, a crise política e econômica que assola o Brasil contribui para o aumento do desemprego, de forma que cresce a pressão no ambiente laboral- cenário ideal para o surgimento de enfermidades, sobretudo a Síndrome de Burnout. É inegável, então, há necessidade de desconstruir a hipervalorização do trabalho que ocorre no país.

Ademais, é preciso ressaltar o desleixo estatal em valorizar profissionais que atuam sob intenso estresse emocional. Nesse contexto, Drauzio Varella retrata em “Carcereiros” a influência da rotina árdua dos agentes prisionais na formação de um cárcere marcado por violência e por problemas psíquicos. Dessa forma, a estrutura deficitária das priões, a desvalorização da profissão e a formação inadequada contribuem para o aumento da criminalidade e para o surgimento da Síndrome de Burnout, já que não há políticas públicas efetivas para amenizar a violência e para valorizar a saúde mental dos servidores. Em suma, é preciso mobilização estatal para priorizar a medicina preventiva nesse cenário.

Portanto, são necessárias mudanças para impedir a perpetuação de “Tempos Modernos” e para superar a Síndrome de Burnout. Para isso, o Poder Legislativo deve exigir que as empresas privadas demonstrem os prejuízos oriundos da hipervalorização do trabalho, sobretudo o surgimento de doenças psíquicas. Esse processo, por fim, pode ser consolidado com o oferecimento de palestras e eventos socioeducativos, com a participação de psicólogos e médicos, e com a redução tributária de empresas que cumprirem esse objetivo. Dessa forma, tal problemática irá amenizar-se, fortalecendo , assim, democracia nacional a partir da consolidação dos direitos trabalhistas.