Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 11/01/2021

Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, destaca que, para o presente mercado, “o sujeito do desempenho é mais produtivo do que o da obediência”. Tal máxima é confirmada no modus operandi da produção contemporânea: maximização do lucro em detrimento da saúde física e mental. Por conseguinte, transtornos psicológicos tornaram-se recorrentes, como é o caso da Síndrome de Burnout. Essa última é oriunda não somente dos recursos de comunicação em massa mas também de uma lógica capitalista a qual desconhece os limites da psique humana.

Sob essa perspectiva, observa-se que as tecnologias da informação se configuram como uma força motriz do problema pelo fato delas eliminarem as fronteiras entre a vida profissional e a vida pessoal. Nesse sentido, como ressaltado pela neurocientista Ana Carolina de Souza, situações em que o trabalho invade o lar, como no recebimento de mensagens relativas às obrigações profissionais mesmo no período de descanso do funcionário, podem gerar uma pressão psicológica e sobrecarga cotidianas as quais catalizarão o surgimento de problemas como a Síndrome de Burnout.

Além disso, a negligência do sistema produtivo moderno para com as limitações humanas, referentes ao trabalho, tende a piorar a situação. Sob essa ótica, como descrito por Marx em seu conceito de “fetiche de mercadoria”, o trabalhador contemporâneo passa a ser visto como uma máquina a qual deve ser melhorada de modo incansável a fim de executar uma produção cada vez maior. Tal fenômeno, ao estimular uma busca patológica pelo desenvolvimento, reafirma a sentença de Byung-Chul Han.

Sendo assim, faz-se necessário que as empresas formulem estratégias de mitigação da preocupante prática supradescrita. Nesse sentido, é interessante não apenas que elas disponibilizem aos empregados um amparo psicológico, por meio de psicólogos, mas que também ouçam, por meio de canais de denúncia, as reclamações referentes à sobrecarga de trabalho, visando contribuir para uma saúde mental mais vigorosa. Com isso, iniciar-se-á o distanciamento dessa infeliz “sociedade do cansaço”.