Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 13/01/2021

A obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, celebra a classe de trabalhadores no período da industrialização brasileira. No entanto, com o avanço da indústria, operários precisaram trabalhar cada vez mais para acompanhar o progresso industrial, levando ao esgotamento físico e mental. Nesse sentido, não só a constante busca pela modernidade, mas também a influência de um mundo globalizado são temas relacionados ao distúrbio psíquico conhecido como síndrome de burnout.

Em primeiro lugar, verifica-se a contemporânea busca global pelo desenvolvimento. Segundo Byung Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, a contemporaneidade, com seus avanços técnico-científicos, impulsionou as pessoas, numa busca constante por realização pessoal e financeira, a trabalharem incessantemente, a fim de obter uma vida realizada e plena. Nessa perspectiva, uma sociedade paradoxalmente bem sucedida é estabelecida; paradoxal porque se por um lado se obtém sucesso na vida econômica, podendo usufruir do conforto contemporâneo, por outro se obtém uma vida esgotada tanto mentalmente quanto fisicamente. Por conseguinte, sintomas da síndrome da burnout , como transtornos de humores e uma mente mais cansada, em decorrência do trabalho excessivo, são mediados por uma busca compulsiva ao progresso.

Outrossim, vale ressaltar a influência da globalização na ocorrência de tal de síndrome. Durante a idade média, com a valorização da razão, grandes avanços nas áreas da astronomia, medicina e matemática surgiram, possibilitando comodidade e inovações que se reverberam até os dias atuais no dia a dia de diversas pessoas. Paralelamente, para Pierre Bourdier, em sua teoria “habitus”, a sociedade incorpora as estruturas que lhe são impostas e as reproduz, tomando-as para si. Nesse contexto, ao serem continuamente impostas novidades desenvolvimentistas e a necessidade se emparelhar com as mesmas, a reprodução da procura incessante pelo desenvolvimento, o que acarreta problemas pessoais e sociais, não passa de uma consequência direta da incorporação das implementações progressistas por parte do tecido social. Desse modo, a corrida pelo avanço pode prejudicar não apenas o âmbito profissional, mas também todas as facetas da vida de um indivíduo.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de recursos midiáticos, como telejornais, propagandas e séries, alertar sobre os problemas da síndrome de burnout, mostrando do que se trata e como evitar. Da mesma forma, as instituições empregatícias devem oferecer consultas psicológicas preventivas aos seus funcionários e acompanhar de perto a saúde mental deles, evitando que a síndrome surja ou se agrave. Dessa forma, um quadro social poderá ser pintado, celebrando tanto os operários quanto o pleno bem-estar dos mesmos.