Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 15/01/2021
No livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, o Cavalo Sansão que tinha como lema pessoal a frase “trabalharei mais ainda” sofre as consequências físicas resultantes do esforço excessivo feito em prol da Granja dos Bichos. De maneira análoga à ficção encontra-se a realidade do mercado de trabalho atual, no qual é cada vez mais comum o desenvolvimento de transtornos como a Síndrome de Burnot, devido ao esgotamento físico e mental dos trabalhadores. Essa problemática é causada pela priorização do lucro em relação à saúde dos indivíduos e pela necessidade de regulamentação específica para as modalidades de trabalho que ocorrem no meio digital.
Primeiramente, a busca desenfreada pelo lucro, leva o trabalhador ao esgotamento físico e mental. O filósofo Arthur Schopenhauer citou que em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Entretanto, é notável a tendência de abrir mão de um estilo de vida saudável em busca de objetivos profissionais. Sob esse viés, é proveitoso analisar as raízes históricas dessa problemática, que encontram-se no modelo de produção industrial fordista que tratava os trabalhadores como máquinas incansáveis, sendo de extrema necessidade desmistificar esse pensamento para alcançar resultados na solução dessa questão.
Por conseguinte, a ausência de leis que regulamentem o trabalho no meio digital permite a exploração dos funcionários pelos seus patrões. Dessa forma, ambientes destinados ao lazer e descanso passam a ser usados também para o trabalho, devido a possibilidade de acesso à internet em qualquer ambiente, gerando uma sobrecarga imensa pela falsa ideia de ser necessário estar sempre disponível. Arnold Toymbee, historiador britânico, disse que tornamo-nos deuses da tecnologia, mas permanecemos macacos na vida. Sob essa ótica, é possível refletir que apesar dos benifícios advindos da tecnologia, seu avanço permitiu a flexibilização e descumprimento de conquistas trabalhistas já adquiridas, como a consolidação de um tempo máximo para jornada de trabalho.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Urge ao Ministério do Trabalho elaborar um projeto de lei e entregá-lo à Câmara dos Deputados, para a regulamentação do trabalho no meio digital. Essa lei deve ser colocada em prática por meio da fiscalização e prestação de contas do cumprimento das normas. Ademais, deve ser obrigatório dinâmicas semanais com psicológos e funcionários para discutir acerca da falsa necessidade de ser produtivo o tempo todo, e de quão prejudicial ela pode ser à saude. O intuito dessa proposta é amenizar os prejuízos causados pelo esgotamento físico e mental ligados à vida profissional que gera a síndrome de Burnot, e permitir que não vivamos uma realidade semelhante à do cavalo Sansão na obra de George Orwell.