Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 18/02/2021
Rostos tristes e expressões de cansaço compõe o cenário do quadro “Os operários” de Tarsila do Amaral, onde a artista critica a relação entre o trabalho e a valorização dos indivíduos nesse contexto. A metáfora é pertinente diante dos crescentes números relacionados à sindrome do burnout, que se define como esgotamento físico e mental ligado à vida profissional. Isso tem origem na mentalidade capitalista e é agravado pela falsa ideia de meritocracia vigente na sociedade atual . Faz-se necessário então que medidas sejam tomadas para que a saúde mental dos trabalhadores seja entendida como um dos pilares do sucesso de uma organização, sendo assim valorizada e buscada.
Primeiramente, a mentalidade capitalista tem como principal pilar a busca pelo lucro. Esse princípio se aloja no subconciente das pesoas de forma a guiar suas atitudes, objetivos e ideais. Karl Marx resume bem essa ideia na frase “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem, a essência domina-o e ele adora-a”. A dominação citada na relação do ser humano consigo mesmo reflete na sociedade, e pode ser observada, dentro do recorte do bourout, nos vínculos empregatícios, que criam cada vez mais contratantes inescrupulosos e trabalhadores sobrecarregados que negligenciam sua saúde mental em virtude da máxima produtividade.
Diante do contexto se propaga o sistema da meritocracia, que se basea na ideia de que o homem é capaz de prosperar somemnte com suas capacidades, sem interferência da coletividade e das circunstâncias, sejam elas boas ou ruins. Esse princípio é cruel pois ignora a influência do meio sobre o ser e entende que todos tem acesso às mesmas condições de vida e infraestrutura (educação, alimentação, moradia ,etc) e dessa forma transporta toda a responsabidade de sucesso ou fracasso às atitudes do sujeito. Como, devido ao sistema econômico vigente, as pessoas enxergam o valor do ser humano como sucesso financeiro,o esgotamento ligado à vida profissional se torna uma realidade para muitos.
Em suma, para que o burnout seja um problema menos expressivo e enraizado no corpo social, os legisladores do Estado devem, em parceria com o ministério do trabalho, definir medidas que se tornem parte da cartilha dos direitos dos trabalhadores e que tenham como foco a preservação da saúde mental dos mesmos, como por exemplo oferecer apoio psicológico mensal aos funcionários. Bem como, se valer de orgãos fiscalizadores para se certificar de que os protocolos em relação à esse tópico sejam cumpridos, e que estes sejam determiantes náo só para o funcionamento, como também para metrificar a qualidade de uma empresa. Dessa forma, o objetivo de valorizar os seres humanos e garantir à eles o gozo da sua saúde mental cortando pe raiz o mal do bornout, se mostra mais próximo.