Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 24/03/2021

Desde a Terceira Revolução Industrial, o avanço da tecnologia alterou as relações de trabalho, de modo que este passou a extrapolar as 8 horas diárias. Nesse sentido, empresas sobrecarregam frequentemente os trabalhadores com ligações e mensagens que excedem a carga horária dos mesmos, de modo que ficam vulneráveis a desenvolver a Síndrome de Burnout como resultado do esgotamento físico e mental destes. Dessa forma, a normalização e romantização da rotina acelerada e exaustiva é uma das causas da síndrome, que deve ser discutida em busca de soluções para tal.

Em primeira análise, destaca-se que a normalização da sobrecarga baseada na justificativa de “ser alguém na vida” tem sido a principal causa da exaustão psicológica. Nesse contexto, pode-se observar,  no Brasil, a popularização do provérbio japonês “Estude, enquanto eles dormem. Trabalhe, enquanto eles se divertem…” como justificativa para o incentivo ao excesso de tarefas durante o dia. Como resultado, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 13,2% dos brasileiros tem Burnout, sendo o segundo país afetado pela síndrome, perdendo apenas para o Japão que, de acordo com o Isma-BR, tem 70% da população afetada. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de reduzir a incidência de tal distúrbio emocional na população e desmistificar a ideia de que a rotina deve ser exaustiva para obter sucesso na vida profissional.

Em segunda análise, pode-se relacionar o aumento dos casos de transtornos psicológicos, principalmente em mulheres, ao isolamento social devido à pandemia de Corona Vírus. Embora seja necessário, o confinamento tem afetado o psicológico de toda a população em decorrência das inúmeras mortes e da ausência de atividades que aliviem o estresse, entretanto, as mulheres estão em destaque por causa da pressão social quanto às tarefas domésticas e maternidade, agora associadas ao trabalho. Nessa situação, como consequência do esgotamento físico e mental, ligado à vida pessoal e profissional, observa-se o desenvolvimento de distúrbios psíquicos, sendo necessário rever o papel da população feminina na sociedade, bem como as responsabilidades a elas associadas, de modo que haja uma cobrança justa tanto para homens, quanto para mulheres.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde conscientizar a população quanto aos resultados negativos da sobrecarga na rotina, dentre os quais destacam-se a irritabilidade e a frustração, por meio de projetos que incentivem o autocuidado e retirem a ideia de que ser alguém na vida requer esgotamento mental, além de revisar as responsabilidades impostas às mulheres, a fim de melhorar a saúde mental da população economicamente ativa e previnir que tais problemas afetem gerações futuras, uma vez que doenças mentais são responsáveis por afastar cerca de 8% dos trabalhadores de seus ofícios.