Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 23/03/2021

É inquestionável, que a vida do proletário sofreu mutações enormes com os adventos da Primeira Revolução Industrial no século XVIII. Dentre essas mudanças, a substituição do ofício manual por máquinas complexas e o abuso do trabalhador em prol da geração de lucro, foram as mais marcantes caraterísticas desse período. Resumidamente, as transformações na vida do operariado influenciaram o meio laboral da contemporaneidade, que por sua vez, apresenta uma alta taxa de cobrança e exigências sobre seus empregados. Como resultado, o surgimento da Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, mostra-se como um grande revés no século XXI, visto que, suas consequências variam de esgotamento físico à depressão. Nesse sentido, é de suma importância analisar esse quadro, a fim de revertê-lo.

Em primeira análise, a Síndrome de Burnout caracteriza-se pelo estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho desgastantes. Por exemplo, a conduta abusiva das empresas, com o estabelecimento de metas inatingíveis sem a total devoção do funcionário, é um dos fatores responsáveis para a intensificação da síndrome. Segundo uma pesquisa realizada pela Qualitin, consultora empresarial encarregada de desenvolver processos de gestão otimizados, 21% dos agentes entrevistados acreditam que as metas que estabelecem não são alcançáveis.

Em segunda análise, o livro “A Sociedade do Cansaço”, do filósofo coreano Byung-Chul Han, infere que o corpo social do século XXI tornou-se o que ele chamou de “sociedade de desempenho”. Isto é, o trabalho em excesso para superar as expectativas do contratante gera estresse, falta de sono e descuido com a própria saúde mental. Essa autocobrança exacerbada facilita o desenvolvimento de doenças como a Síndrome de Burnout, que se não tratada, pode levar a um estado de ansiedade e depressão.

Depreende-se, portanto, que apesar dos grandes avanços possibilitados pela Primeira Revolução Industrial, as mudanças no corpo laboral resultaram em alguns impactos negativos. Para atenuá-las, o Ministério do Trabalho, ligado ao controle das condições trabalhistas, em ajuda do Departamento de Recursos Humanos, por meio de uma rigorosa fiscalização nas empresas brasileiras, deve pressionar a contratação de profissionais em psicologia, a fim de cuidar do psíquico de seus funcionários. Concomitante a isso, a mídia, como Instagram e o YouTube, por meio de propagandas, deve conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e os perigos da autocobrança em exagero, evidenciando que o conhecimento de seus limites é imprescindível. Apenas com o trabalho mútuo, entre patrão e proletário, será possível obter um corpo trabalhista harmonioso.