Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 31/03/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a Síndrome de Burnout, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de dois de alguns fatores que favorecem esse quadro: o Estado ausente e empregadores extremamente exigentes.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema psicológico. Nesse caso, pode até existir o tratamento gratuito para esse tipo de problema no SUS, mas não há campanha que chegue até o trabalhador e torne essa pessoa consciente da importância de se manter uma mente sadia. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de empatia dos empregadores públicos e privados como empulsionadora da Síndrome de Burnout no Brasil. Segundo a associação ISMA, de cada 10 trabalhadores brasileiros, 3 estão nessa situação de extremo estresse e fadiga física e mental. Diante de tal exposto, é preocupante que os que estão em posição de chefia exija muito de seus contratados, como se eles fossem descartáveis ou fossem máquinas (algo que não tem sentimentos). Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio de campanhas publicitárias, exponha os sintomas dessa síndrome para a população, com a finalidade de conscientizar as pessoas para esse problema psicológico. O Estado precisa também, expandir o acesso ao CAPS, para atingir mais pacientes possíveis. Assim, se consolidará uma sociedade mais sadia, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.