Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 13/04/2021

No conto “Um coração fraco”, Dostoiewisky narra o drama de um escriturário chamado Vássia. Para Vássia, funcionário público do Império russo na época do tzarismo, a loucura pelo excesso do trabalho e o conflito entre suas emoções e a obrigação laboral, o levam à exaustão e à loucura, mesmo assim ele se culpa de não ter dado conta de realizar a tarefa. O hospício é seu destino, a saída da loucura do trabalho é enlouquecer de verdade. Analogamente a isso, o que fora evidenciado na obra literária não se encontra distante da atualidade, a julgar que, no cenário atual, os brasileiros sofrem em participar da relação entre o excesso de trabalho e a saúde mental. Visto que, o ambiente do empregado encontra-se poluído de muitas tarefas e divergências, contribuindo negativamente para a saúde do mesmo.

A priori, nota-se que desde a primeira Revolução Industrial, a concepção do exercício profissional foi bruptamente convertida e manipulada numa espécie de estilo de vida. O famoso slogan American way of life ou “estilo de vida americano”, o qual enfatiza que os indivíduos tenham, cada vez mais, multitarefas durante o dia, foi um dos fatores determinantes para a adoção desse método de viver, disfarçando as precárias condições de vida e trabalho dos artesãos no início da primeira revolução industrial. As fábricas tinham um ambiente insalubre, o tempo de trabalho chegava a 80 horas semanais e os salários eram bem abaixo do nível de subsistência. Dessa forma, com o costume imposto pelo capitalismo da realização de inúmeras atividades, a saúde mental, por exemplo, é posta em segundo plano e, consequentemente, o ser humano é robotizado influenciando, assim, no prejuízo da saúde. Sendo assim, torna-se comum o aumento das taxas de distúrbios emocionais, graças a ganância do mundo econômico.

Outrossim, é pertinente mencionar as prejudiciais repercussões que o atual modo de produção, que demanda carga horária extenuante, coloca o trabalhador em constante insegurança e romantiza o problema. Na série televisiva “Todo mundo odeia o Chris”, Julius, pai de Chris, vangloria-se dos três ofícios que tem, colocando-os em posição prioritária, se comparados com seu tempo de lazer ou descanso. Demonstrando assim, uma clara alienação que atingiu tanto as gerações passadas quanto atinge ainda as atuais.

Portanto, diante dos elementos supracitados, é de suma importância que medidas sejam tomadas de imediato. O Estado, por meio de fiscalizações e acompanhamentos psicológicos, analise com veemência a situação e progressão do assalariado no ambiente trabalhista, a fim de diminuir a quantidade de vítimas da síndrome de burnout. Dessa maneira, é possível evitar que gerações posteriores se livrem do tal problema, assumindo um Anti American way of life ou ‘‘anti estilo de vida americano’’.