Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 14/04/2021

No filme " O estagiário", Jules, chefe renomada de um importante departamento de moda, constantemente está expandindo as fronteiras de seu trabalho e o colocando acima de sua vida pessoal. Simultaneamente, a narrativa mostra o processo que leva Jules a exaustão física e mental, e apesar de ficcional, assemelha-se com o cotidiano de profissionais no espaço laboral hodierno, uma vez que tem se tornado prosaico o aparecimento de síndromes como a de Burnout, problema a ser compreendido e avaliado socialmente.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que longas jornadas de trabalho e a inexistência de um período para repouso aos funcionários de quaisquer que sejam as ocupações, é proibido desde as reformas ocorridas no governo do ex-presidente Getúlio Vargas, em 1943. Contudo, com o advento da tecnologia e a facilidade de se manter conectado ao mundo dos negócios mesmo à distância, comumente tem se tornado difícil para trabalhadores descansarem de forma efetiva e desligarem de suas funções remuneradas em seus momentos de lazer. Por consequência, as atividades prolongadas impactam o bem-estar emocional, gerando depressão, ansiedade e estresse constante (características da síndrome de Burnout).

Ademais, em meio ao cenário descrito, pouco percebe-se, por parte dos contratantes, uma inclinação a apoiar e amparar seus funcionários para que a situação seja mitigada. Em paralelo, Marshall McLuhan, filósofo existencialista, afirma que os homens criam ferramentas e estas são capazes de recriar o homem. Portanto, o trabalho sendo a força motriz que condiciona a estabilidade econômica e facilita a vida em sociedade, não deve ser usado para recriar indivíduos apáticos, alheios a sua saúde e conforto.

Diante dessa problemática, constata-se que é imprescindível que medidas sejam tomadas por parte do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), em parceria com empresas público-privadas, que promovam a melhora do estado mental de seus afiliados, assegurando a eles o descanso adequado e acompanhamento psicológico regular dentro de seus ofícios. De tal forma, proporcionando aos trabalhadores o autoconhecimento e a oportunidade de se distanciar da empresa, para cuidar de si próprio, doenças como a síndrome de Burnout podem deixar de ser frequentes.